|

Um pouco sobre a organização na Catequese
No passado a eucaristia normalmente não era celebração
da vida, nem uma ação realmente comunitária.
Era mais um ato isolado em si, de pessoas que não estiveram
vivencialmente ligadas entre si. Num ambiente impregnado pelo
sacralismo, onde havia uma consciência forte de obrigatoriedade
de determinados atos religiosos, com o apoio da família
e da sociedade, muitos eram firmes em sua obrigação
de assistir à missa. Evidentemente, onde não
havia padres e quando não eram eram dadas as condições
indicadas, o catolicismo era menos marcado pela eucaristia
e mais pelas devoções populares.
Hoje, sobretudo nas grandes cidades, falta, quase geralmente,
o apoio da família e da sociedade. Se o indivíduo
não está inserido numa comunidade viva e se
ele não tem a visão da eucaristia como celebração
da vida, em geral a missa não tem muito sentido para
ele. A televisão, o esporte e outros divertimentos
lhe dizem, então, mais.
Como o batismo para quase todos, assim também a primeira
comunhão para muitos, tem ainda um valor religioso,
embora dominem frequentemente motivos de cunho mais social.
Em todo caso, esta motivação não é
suficiente para uma vivência constante da eucaristia
como ponto culminante e fonte de força da vida cristã.
Falta a base de fé e vivência. Faz-se ainda a
primeira comunhão, mas ela não é ponto
de partida, e sim somente ponto de chegada, um tipo de formatura
religiosa que não têm conseqüências
práticas numa vida à qual deveria ter iniciado.
Parece que assim podemos compreender a situação
que encontramos normalmente em nossas paróquias e grandes
comunidades: um número relativamente grande de crianças
faz a primeira comunhão; mas no domingo seguinte, poucas
destas crianças voltam à igreja, à missa,
à mesa do Senhor. A perseverança na adolescência
e juventude é mínima. Quem não entra
num grupo de perseverança, num grupo de adolescentes
ou de jovens, na maioria das vezes nem dá o passo sacramental
ulterior que seria o sacramento da confirmação.
[...]
Falando geralmente de criaças que se preparam para
a primeira comunhão, não excluímos candidatos
adolescentes, jovens ou adultos. Via de regra vale tudo que
se diz para todos eles; se não, pode facilmente ser
adaptado à situação diferente destes
grupos.
AS CAUSAS
Agora não consideraremos mais as causas históricas
que levaram à situação descrita. Limitamo-nos
às causas imediatas que encontramos na ação
pastoral hoje.
a. Várias causas mais aparentes
A preparação para a primeira comunhão
se faz em nossas grandes comunidades, normalmente em grupos
de crianças que são confiados a catequistas.
As crianças reúnem-se semanalmente e recebem
em geral, durante o ano letivo, aulas de catequese. Observa-se
um grande esforço de dinamizar estas reuniões
e de torná-las interessantes. Cria-se lugar para atividades
não apenas intelectuais, mas também de outro
tipo, como desenho, canto, jograis. Procura-se também
a ligação entre fé e vida, partindo da
vida da criança e levando-a a uma vivência dos
compromissos batismais que serão renovados na celebração
da primeira comunhão.
Igualmente dá-se valor à dimensão comunitária
da vida cristã. E esta procura-se viver particularmente
no grupo que se está preparando, às vezes também
junto com outros grupos iguais ou semelhantes da mesma comunidade.
Normalmente Jesus Cristo é colocado no centro desta
iniciação como aquele de quem a criança
se aproxima e a quem ela quer melhor conhecer e mais amar.
Em geral dá-se um lugar central também à
Bíblia que ensina os Mistérios de Cristo e da
Igreja e que orienta para uma vida cristã.
No entanto, raramente deixa-se bastante claro e explícito
que a eucaristia, para a qual o grupo se prepara, é
o ponto culminante de celebração da fé
e da vida. Nos subsídios de preparação
para a primeira comunhão que temos à disposição
(de cerca de 30 autores) quase nunca encontramos aquela dimensão
na qual insistiu o Concílio Vaticano II, no artigo
10 da sua Constituição sobre a Sagrada Liturgia:
"A liturgia é o cume para o qual tende a ação
da Igreja e, ao mesmo tempo, é a fonte de onde emana
toda a sua força".
b. Duas causas mais profundas
Constatamos que na preparação para a primeira
comunhão faltam, em geral, as verdadeiras celebrações.
Uma verdadeira iniciação à celebração,
no entanto, se faz celebrando. Encontramos às vezes
roteiros para "celebrações". Mas são
antes jograis e reflexões comunitárias. Elas
ficam normalmente em palavras. Faltam gestos e ritos. Não
há festividade. O objetivo parece ser transmissão
de idéias, não celebração do Mistério
de Cristo e da vida humana. É verdade que as liturgias
das nossas comunidades são freqüentemente deste
tipo. Mas como estas não são atraentes para
os adultos, menos ainda as crianças podem se entusiasmar
por tais "celebrações" e nelas vibrar.
Uma outra dificuldade, num processo de verdadeira integração
na liturgia central da comunidade cristã, é
o fato de que as celebrações para as crianças
são às vezes infantis no sentido pejorativo
da palavra. Elas são fechadas no ambiente das crianças
e não levam à celebração da comunidade
dos adultos. Elas bloqueiam mais do que abrem. A criança,
que talvez ainda gosta de tais celebrações e
se acostuma com elas, não se sentirá à
vontade nas celebrações dos adultos que, para
ela, são um outro mundo, ao qual assim não é
introduzida. Na medidaem que a criança cresce ela não
aceita mais as celebrações infantis e, não
tendo acesso às dos adultos, desiste simplesmente.
A falha mais grave, no entanto, no processo de iniciação
parace ser que não há uma verdadeira introdução
na comunidade eclesial. O grupo das crianças que se
preparam para a primeira comunhão não é
esta comunidade. Este grupo se dissolve. Ela pode ter uma
certa continuidade em grupos de perseverança, de adolescentes
e jovens, mas também estes não são a
comunidade autêntica da qual fazem parte pessoas de
todas as idades e camadas, em real convivência e comunhão
também na liturgia.
Fazem-se vários esforços para superar esta dificuldade.
Já os catequistas podem ser vistos nesta perspectiva,
pois eles são para as crianças os representantes
da comunidade. As várias atividades dos membros e dos
grupos da comunidade são oportunamente apresentadas
às crianças. Elas participam de celbrações
litúrgicas e de festas da comunidade. Às vezes
são levadas a se comprometerem com os pobres da própria
ou de outras comunidades. Tudo isso é mais fácil
e mais eficiente quando os pais seus filhos. Por isso estes
são convidados, pelo menos uma ou outra vez, durante
o tempo de preparação dos filhos para a primeira
comunhão, para receberem orientações
dos catequistas e de outros agentes.
Mas tudo isso não parece ser suficiente para uma introdução
eficaz das crianças na vivência da comunidade
eclesial, sobretudo quando a própria família
não participa ativamente da vida da comunidade. Atividades
deste gênero são cumpridas como uma obrigação,
mas não se passa a uma identificação
interior com a comunidade. A conseqüência é
que a vida e a celebração desta vida, às
quais a preparação para a primeira comunhão
deveria iniciar, não são assumidas com perseverança.
A ORGANIZAÇÃO NA CATEQUESE
A organização na catequese supõe vários
níveis de atuação, desde a menor das
comunidades até o nível arquidiocesano, e mesmo,
nacional. Passa também pela necessidade de pequenas
ações que ajudam a estruturar todo o trabalho,
de modo a colaborarmos com a graça de Deus que inspira
a prática catequética.
Em relação a isso, afirma o Diretório
Geral para a Catequese (DGC) em seu número 272:
"A coordenação da catequese é uma
tarefa importante no âmbito de uma Igreja particular.
Ela pode ser considerada:
- no interior da própria catequese, entre as suas diversas
formas, dirigidas às diferentes idades e ambientes
sociais;
- com referência aos laços que a catequese mantém
com as outras formas do ministério da Palavra e com
outras ações evangelizadoras.
A coordenação da catequese não é
um fato meramente estratégico, voltado para uma mais
incisiva eficácia da ação evangelizadora,
mas possui uma dimensão teológica de fundo.
A ação evangelizadora deve ser bem coordenada
porque ela visa à unidade da fé, a qual, por
sua vez, sustenta todas as ações da Igreja".
Não podemos perder de vista que a função
de coordenar tem em vista a realização do Projeto
de Deus, o serviço a Deus, feito na alegria, simplicidade,
humildade e entusiasmo.
Não podemos esquecer também que "a organização
da pastoral catequética tem como ponto de referência
o Bispo e a diocese. O Secretariado diocesano de catequese
é "... o órgão através do
qual o Bispo, chefe da Comunidade e mestre da doutrina, dirige
e preside toda a atividade catequética realizada na
diocese" (DGC 265).
O coordenador da catequese deve formar sempre uma equipe de
coordenação que busque atingir três processos:
a) Animação: Esta equipe deverá criar
condições para que todos participem do trabalho
com seus esforços e conquistas. Animar significa "gerar
vida". Um coordenador desanimado influência negativamente
sobre o grupo. Não se pode um otimismo alienante, mas
uma sadia e cristã visão da realidade, tendo
me vista a busca do melhor para a comunidade. Entusiasmado
significa "cheio de
Deus"!
b) Comunhão fraterna: Devemos incentivar o bom nível
de relacionamento interpessoal no grupo de catequistas. A
experiência de comunhão, torna-se sinal de conversão
e caridade dentro da comunidade. Conviver com a diferença
dos outros só traz enriquecimento, quando é
partilhada de maneira construtiva e numa visão de fé.
c) Mobilização: Vivenciamos o lema "a união
faz a força", quando todos estão unidos
pelo mesmo ideal, ainda que haja diferenças pessoais.
Para que a comunidade se mobilize necessitamos de:
q Organização: Planejar de forma participativa,
com avaliações constantes.
q Articulação: Todos os níveis devem
estar articulados e a coordenação deve orientar
e supervisionar os trabalhos, sempre na linha da co-responsabilidade.
q Interação: Busca de um bom relacionamento
entre toda a equipe.
Algumas sugestões para a organização
paroquial:
a) Em relação à "secretaria":
O Manter os dados em dia: catequistas, catequizandos, turmas,
dados da Região do Setor e da Arquidiocese;
O Organizar fichas para os catequistas, com informações
importantes (data de nascimento, endereço, telefone,
datas e/ou local de batismo, comunhão, crisma e matrimônio,
se for o caso...)
O O mesmo se diz em relação aos catequizandos;
O Comunicar imediatamente a todos os catequistas, as informações
recebidas, através de circular, quadro de avisos ou
caderno de anotações;
O Preencher e entregar, se possível, antes do prazo
a informações que forem pedidas. Assim, evita-se
o esquecimento e a possibilidade de perder o material;
O Manter um quadro de avisos com informações
úteis para a catequese, além do simpático
mural de aniversariantes, mensagens, e outras criatividades
que possam surgir.
b) Em relação ao grupo de catequistas:
O Formar uma equipe de coordenação em todos
os níveis e em todas as comunidades catequéticas;
O Animar o planejamento participativo, envolvendo todo o grupo
de catequistas, sabendo ouvir críticas e sugestões
e manifestando objetivos claros e bom conteúdo nas
reuniões;
O Zelar pela formação do grupo, atingindo também
os auxiliares e catequistas de outros núcleos, e não
só da Matriz!
O Visitar e/ou fazer reuniões em outras comunidades,
evitando que tudo seja centralizado apenas na Matriz. Há
grupos que se sentem felizes em acolher os catequistas da
comunidade. Aproveitemos estes momentos!
O Realizar reuniões mensais com todos os coordenadores
de catequese na paróquia, para assuntos gerais;
O Incentivar os catequistas de grupos de catequese específicos
para que se reúnam mensalmente para planejamento dos
encontros;
O Cuidar para que cada grupo trabalhe com o material da Arquidiocese
e a programação feita pela comunidade;
O Criar ambiente fraterno, alegre e responsável para
que a convivência do grupo seja o maior testemunho de
comunidade catequética.
O Apresentar os catequistas ao sacerdote e afirmar constantemente
que a catequese deve ser feita em união com as diretrizes
arquidiocesanas e paroquiais;
O Incentivar a participação de todos nos eventos
regionais, setoriais e arquidiocesanos. Nunca deixar sua paróquia
sem uma representação de catequistas.
O Sugerir ao pároco que a comunidade custeie o estudo
de alguns catequistas nas Escolas de especializadas de Catequese.
c) Em relação à estrutura material:
O A catequese precisa ao menos de uma "salinha"
para o mínimo de estrutura de suas atividades;
O Criar alternativas (rifas, festas, bingos,...) para que
as comunidades possam adquirir o material didático
necessário para o trabalho catequético;
O Atualizar o quadro de avisos da catequese, sempre que for
necessário;
O Montar, uma "biblioteca da catequese", com doações
ou compra de material, para que os catequistas possam encontrar
subsídios para seu trabalho pastoral;
O Criar materiais próprios da comunidade, aproveitando
os talentos que Deus deu a pessoas da comunidade, mesmo que
estas não sejam catequistas.
Concluindo...
Organizar o trabalho catequético exige muita capacidade
de abnegação e alegre doação .
E um dos grandes instrumentos da equipe de coordenação
deve ser o diálogo amigo, verdadeiro e fraterno. Caminhar
para a unidade da comunidade, respeitando a diversidade, exige
que evitem rótulos preconceituosos, que se busque em
conjunto o Reino de Deus, ainda que por caminhos diferentes.
"Um dos grandes meios que temos para nos comunicar, de
encontrar o caminho de pessoa a pessoa é a palavra.
A linguagem é a arma mais poderosa e mais eficiente
que o homem possui. É com a palavra que nos comunicamos
com o próximo. Uma palavra pode: agradar, ferir, convencer,
estimular, entristecer, instruir, enganar, louvar, criticar
ou aborrecer as pessoas a quem for dirigida. A linguagem é
o instrumento essencial das relações humanas.
Na comunicação entre as pessoas é tão
importante quanto a enxada para o lavrador ou o torno para
o mecânico. Se ela é tão importante, devemos
cercá-la de todos os cuidados possíveis. Devemos
nos esforçar para que nossas palavras pelo tom, oportunidade
e adequação sejam e um meio de comunicação.
Nunca estamos prontos e acabados. Conversão deve ser
atitude constante do cristão e o outro nos ajuda a
ver onde precisamos crescer. Diálogo na catequese não
é só uma questão metodológica,
ela deriva de um certo modo de compreender Deus e a vida.
É um especialíssimo caminho de santidade."
(Me. Maria Helena Cavalcanti)
A FORMAÇÃO PARA O SERVIÇO DA CATEQUESE
1. Necessidade da formação catequética
A formação dos catequistas é atualmente
uma das tarefas mais urgentes de nossas comunidades, pois,
"o catequista é de certo modo, o intérprete
da Igreja junto aos catequizandos" (DCG 35).
"Qualquer atividade pastoral que não conte para
sua realização, com pessoas realmente formadas
e preparadas, coloca em risco a sua qualidade" (DGC 234),
portanto, é preciso contar com uma adequada pastoral
de catequese que possa:
· suscitar vocações para a catequese;
· distribuir melhor os catequistas entre os diversos
setores;
· organizar a formação dos catequistas
(de base e permanente);
· atender pessoal e espiritualmente os catequistas
e formar um grupo de catequistas integrado à vida da
comunidade.
O objetivo principal da formação do catequista
é o de prepará-lo para comunicar a mensagem
cristã, àqueles que desejam entregar-se a Jesus
Cristo. A finalidade da formação requer, portanto,
que o catequista se torne o mais capacitado possível
a realizar sua missão.
2. Critérios para a formação do catequista
O Diretório Geral para a Catequese no nº 237,
apresenta alguns critérios inspiradores para formação
do catequista:
· formar catequistas com fé profunda; clara
identidade cristã e eclesial; profunda sensibilidade
social
· capazes de transmitir não apenas um ensinamento,
mas também uma formação cristã
integral, desenvolvendo "tarefas de iniciação,
de educação e de ensinamento". São
necessários catequistas que sejam ao mesmo tempo, mestres,
educadores e testemunhas.
· capazes de superar "tendências unilaterais
divergentes" e de oferecer uma catequese plena e completa.
Isto é, precisamos saber conjugar fé e vida,
num sentido social e eclesial.
· há também necessidade de se investir
na formação específica para o leigo,
grande maioria na catequese.
· e, por último, o DGC aponta para a importância
fundamental da formação pedagógica. "Seria
muito difícil para o catequista improvisar, na sua
ação, um estilo e uma sensibilidade para os
quais não tivesse sido iniciado durante a sua própria
formação." (DGC 237).
3. Dimensão da formação
Além dos critérios inspiradores, a formação
do catequista possui as seguintes dimensões: SER, SABER
E SABER FAZER.
"A mais profunda se refere ao próprio ser do catequista,
à sua dimensão humana e cristã. A formação
de fato deve ajudá-lo a amadurecer, antes de mais nada,
como pessoa, como fiel e como apóstolo. Depois há
o que o catequista deve saber para cumprir bem a sua tarefa.
(...) Enfim há a dimensão do saber fazer, já
que a catequese é um ato de comunicação.
A formação tende a fazer do catequista um "educador
do homem e da vida do homem" (DGC 238).
O catequista precisa estar em contínua formação
humana e cristã. Por isso, não bastam os cursinhos
de início de ano. Estes são muito mais momentos
de sensibilização para o trabalho catequético
e não indicadores de que, ao participar destes encontros,
o catequista esteja em condições de realizar
bem a tarefa pastoral.
1. Necessidade da formação catequética
A formação dos catequistas é atualmente
uma das tarefas mais urgentes de nossas comunidades, pois,
"o catequista é de certo modo, o intérprete
da Igreja junto aos catequizandos" (DCG 35).
"Qualquer atividade pastoral que não conte para
sua realização, com pessoas realmente formadas
e preparadas, coloca em risco a sua qualidade" (DGC 234),
portanto, é preciso contar com uma adequada pastoral
de catequese que possa:
· suscitar vocações para a catequese;
· distribuir melhor os catequistas entre os diversos
setores;
· organizar a formação dos catequistas
(de base e permanente);
· atender pessoal e espiritualmente os catequistas
e formar um grupo de catequistas integrado à vida da
comunidade.
O objetivo principal da formação do catequista
é o de prepará-lo para comunicar a mensagem
cristã, àqueles que desejam entregar-se a Jesus
Cristo. A finalidade da formação requer, portanto,
que o catequista se torne o mais capacitado possível
a realizar sua missão.
2. Critérios para a formação do catequista
O Diretório Geral para a Catequese no nº 237,
apresenta alguns critérios inspiradores para formação
do catequista:
· formar catequistas com fé profunda; clara
identidade cristã e eclesial; profunda sensibilidade
social
· capazes de transmitir não apenas um ensinamento,
mas também uma formação cristã
integral, desenvolvendo "tarefas de iniciação,
de educação e de ensinamento". São
necessários catequistas que sejam ao mesmo tempo, mestres,
educadores e testemunhas.
· capazes de superar "tendências unilaterais
divergentes" e de oferecer uma catequese plena e completa.
Isto é, precisamos saber conjugar fé e vida,
num sentido social e eclesial.
· há também necessidade de se investir
na formação específica para o leigo,
grande maioria na catequese.
· e, por último, o DGC aponta para a importância
fundamental da formação pedagógica. "Seria
muito difícil para o catequista improvisar, na sua
ação, um estilo e uma sensibilidade para os
quais não tivesse sido iniciado durante a sua própria
formação." (DGC 237).
3. Dimensão da formação
Além dos critérios inspiradores, a formação
do catequista possui as seguintes dimensões: SER, SABER
E SABER FAZER.
"A mais profunda se refere ao próprio ser do catequista,
à sua dimensão humana e cristã. A formação
de fato deve ajudá-lo a amadurecer, antes de mais nada,
como pessoa, como fiel e como apóstolo. Depois há
o que o catequista deve saber para cumprir bem a sua tarefa.
(...) Enfim há a dimensão do saber fazer, já
que a catequese é um ato de comunicação.
A formação tende a fazer do catequista um "educador
do homem e da vida do homem" (DGC 238).
O catequista precisa estar em contínua formação
humana e cristã. Por isso, não bastam os cursinhos
de início de ano. Estes são muito mais momentos
de sensibilização para o trabalho catequético
e não indicadores de que, ao participar destes encontros,
o catequista esteja em condições de realizar
bem a tarefa pastoral.
A missão que o Catequista é chamado a realizar
exige:
a) intensa vida sacramental e espiritual;
b) familiaridade com a oração;
c) profunda admiração pela mensagem cristã;
d) uma atitude de caridade, humildade e prudência que
permita ao Espírito Santo realizar sua obra fecunda
nos catequizandos.
Sendo a catequese um processo permanente de educação
da fé, também a formação do catequista
deve ser permanente, pois o catequista terá sempre
coisas para aprender em toda a sua vida. "Além
de testemunha, o catequista deve ser mestre que ensina a fé.
Uma formação bíblico-teológica
lhe fornecerá um conhecimento orgânico da mensagem
cristã articulada a partir do mistério central
da fé, que é Jesus Cristo" (DGC 240).
5. Conteúdos a serem aprofundados
O conteúdo desta formação doutrinal é
exigido pelas diversas partes que compõem todo o projeto
orgânico de catequese:
v As três grandes etapas de história da salvação:
Antigo Testamento, Vida de Jesus Cristo e História
da Igreja;
v Os grandes núcleos da mensagem cristã: Símbolo,
Liturgia, Vida Moral e Oração.
A Sagrada Escritura deverá ser como a alma desta formação
e o Catecismo da Igreja Católica o ponto de referência
doutrinal fundamental, juntamente com os materiais catequéticos
publicados. Além disso, precisamos conhecer os documentos
do Magistério da Igreja. A leitura e reflexão
destes livros deverão estar sempre presentes na vida
do catequista.
Para uma formação integral, "é necessário
que o catequista entre em contato, pelo menos, com alguns
elementos fundamentais da psicologia (...) As ciências
sociais procuram o conhecimento do contexto sócio-cultural
em que o homem vive e pelo qual é fortemente influenciado"
(DGC 242).
Além destes conhecimentos, precisamos aprender alguns
elementos da ciência da comunicação: dinâmicas
de grupo, utilização dos recursos didáticos
e meios audiovisuais e também aproveitar das riquezas
da informática.
Por fim, é importante que o catequista conheça
o valor do planejamento, da avaliação e alguns
princípios de metodologia.
Como se vê, a formação do catequista é
algo complexo e dinâmico. Precisamos de humildade e
entusiasmo para aprender sempre.
6. Sugestões de atividades formativas
Não podemos esquecer que a formação do
catequista acontece, em primeiro lugar, na comunidade cristã.
"É nesta que os catequistas experimentam a própria
vocação e alimentam constantemente a própria
sensibilidade apostólica"(DGC 246).
Para isso o coordenador procurará...
Ø ... motivar o grupo de catequistas para reuniões
mensais de preparação dos encontros catequéticos.
Deve-se ver o melhor dia e horário para cada grupo
(catequese infantil, iniciação eucarística,
perseverança, adultos, especial, ...), ainda que sejam
em dias diferentes para cada grupo.
Daí a necessidade de haver coordenadores específicos
para cada grupo.
Ø ... garantir um encontro anual para o "grupão"
de catequistas se reunir e aprofundar algum tema necessário
para a sua formação integral;
Ø ... incentivar a participação dos catequistas
em cursos da paróquia, ou em encontros formativos da
região, setor e arquidiocese.
Vamos aprender a trabalhar com representatividade? Se não
der para enviar todos, insista para que, ao menos um catequista
esteja presente nestes momentos e torne-se agente multiplicador
na comunidade.
Ø ... não esquecer dos auxiliares, que se preparam
para ser catequistas: eles merecem uma atenção
especial, a mesma qualidade de formação.
Ø ... incentivar a participação dos catequistas
na Escola da Fé Paroquial.
"Formar os formadores", esta deve ser uma meta constante
da equipe de coordenação da catequese. Logo,
a formação "possibilitará o crescimento
do catequista no equilíbrio afetivo, no senso crítico,
na unidade interior, na capacidade de relações
e de diálogo, no espírito construtivo e no trabalho
de grupo" (DGC 239). Iintegrar o conhecimento numa vida
correta, inspirada pelos valores do Evangelho para anunciar
a Palavra de Deus, é a meta do catequista.
7. Conclusão:
Ninguém nasce catequista. Aqueles que são chamados
a esta missão tornam-se bons catequistas através
da prática, da reflexão e da preparação
adequada. Para colaborar na formação de discípulos
de Cristo, o catequista deve ser, em primeiro lugar, um discípulo
amoroso, humilde, alegre e fiel.
A fé foi colocada por Deus no coração
do homem. A tarefa do catequista é a de cultivar este
Dom, alimentá-lo e ajudá-lo a crescer primeiro
em seu coração para que deixe transbordar esta
experiência de vida cristã para os irmãos.
Siglas utilizadas:
DCG - Diretório Catequético Geral, Sagrada Congregação
para o Clero, 1971.
DGC - Diretório Geral para a Catequese, Sagrada Congregação
para o Clero, 1997.
MINISTÉRIO DA COORDENAÇÃO
A Catequese nos últimos anos deu passos significativos.
Em toda parte percebe-se um fervilhar de novas experiências
e métodos mais adequados que nos orientem na caminhada.
Este processo de renovação depara-se com alguns
desafios: a catequese não pode ser uma simples iniciativa
baseada na boa vontade, na improvisação. Disso
decorre a necessidade de pensar, organizar e atualizar a catequese,
buscar novos rumos, animar os catequistas, criar um clima
humano-afetivo. Surge assim a missão do coordenador
do qual depende, em grande parte, a dinâmica e a renovação
da catequese numa comunidade.
"A atividade pastoral não pode processar-se às
cegas. O apóstolo não corre em busca do incerto,
nem golpeia no ar". (Paulo VI)
Coordenação vem da palavra "co-ordinatione"
que significa: dispor certa ordem ou método",
organizar o conjunto, por em ordem o desconjunto. É
uma "co-operação", uma ação
de "co-responsabilidade entre os iguais". A coordenação
promove a união de esforços, de objetivos comuns
e de atividades comunitárias, evitando o paralelismo,
o isolamento na ação catequética. A coordenação
tem por finalidade criar relações, facilitar
a participação, desenvolver a sociabilidade,
levar à cooperação, comprometer na co-responsabilidade,
realizar a interação e tornar eficaz o conjunto
da caminhada catequética.
Para essa missão se requer um trabalho de grupo, e
não de uma só pessoa.
A catequese renova-se mais rapidamente, especialmente no mundo
urbano, quando uma comunidade investe na equipe de coordenação
e esta assume sua missão articuladora, animadora da
catequese .
2. O Exemplo de Jesus
Nesse sentido o MINISTÉRIO DA COORDENAÇÃO
reveste-se de uma mística, de uma espiritualidade,
de uma missão. Coordenar é integrar, animar,
avaliar, revisar, celebrar, incentivar a caminhada da catequese.
O ministério da coordenação é
o serviço que mantém viva a caminhada da catequese
em sintonia com as opções diocesanas, paroquiais,
e segundo as exigências de uma catequese renovada. E
o coordenador encontra seu modelo, sua inspiração
e a fonte de graça para exercer seu ministério
na Pessoa de Jesus.
Sabemos que Jesus Cristo não quis assumir sua missão
sozinho. Fez-se cercar do grupo dos doze (Mc 3,13). Com eles
vai criando sua comunidade. Os Evangelhos nos mostram que
várias atitudes de Jesus caracterizam-se por um amor
cordial e concreto pelas pessoas. Vejamos algumas situações:
a) JESUS CONHECE AS PESSOAS E AS ACEITA COMO SÃO. Parte
daquilo que são os discípulos, e não
daquilo que deveriam ser para conduzir cada um a um crescimento
cada vez mais profundo (Jo 20, 27; Lc 22, 61; Lc 24, 13-35).
b) JESUS EXERCE SUA AUTORIDADE COM CARIDADE. É aquele
que serve ( Jo 13, 1-20). "Eu não vim para ser
servido, mas para servir" (Mc 10, 45). Para Jesus, todos
têm uma caminhada a fazer, uma conversação
a realizar, uma esperança a construir. A grande norma
do grupo é o mandamento do amor.
c) JESUS SITUA-SE DENTRO DA COMUNIDADE E A DIRIGE COM AMOR.
A presença de Jesus é viva no meio da comunidade.
Ensina a partilhar e ser solidário em tudo (Jo 6, 1-15).
d) JESUS FALA DA NECESSIDADE DE SUA PAIXÃO e convida
seus discípulos a partilhar sua Cruz, vivida e assumida
na fé e na esperança, porque passando por ela
constrói-se o Reino (Lc 9, 22-26).
e) JESUS CRIOU UMA COMUNIDADE PARA A MISSÃO. A comunidade
é um caminho de crescente fraternidade e abertura para
a missão. O apóstolo Paulo nos alerta (Rm 12,
9-21) para que tenhamos os mesmos sentimentos de Jesus Cristo.
Isto é, que a nossa missão de coordenadores
não seja uma forma de vanglória e nem um fardo
nos ombros dos outros, mas que seja uma continuidade da missão
de Jesus Cristo na edificação do Reino.
3. Perfil do Coordenador
O Ministério da Coordenação é
o serviço que suscita e integra através de ações
concretas as forças vivas da catequese: pároco,
catequistas, pais, catequizandos e as outras pastorais.
Este ministério deve ser exercido com alegria, como
uma fonte de espiritualidade, como um serviço em prol
do Reino: animando os catequistas, abrindo novos horizontes,
atualizando-se continuamente, estando em sintonia com as orientações
diocesanas, criando um clima de acolhida, partilha e confiança.
Desse modo, a catequese surge como luz na comunidade.
Existem diversas maneiras de exercer o ministério da
coordenação. Dentre elas destacamos as seguintes:
· COORDENAÇÃO CENTRALIZADORA - sobressai
a função. Não divide tarefas. Não
confia totalmente no grupo. Normalmente uma coordenação
centralizada é autoritária, por vezes distante
da caminhada da catequese e dos reais problemas dos catequistas,
dos catequizandos, dos pais e da comunidade cristã.
Numa coordenação centralizada, com facilidade
surgem os descontentamentos, as divisões, os subgrupos,
o desânimo e as desistências.
· COORDENAÇÃO FRATERNA, DEMOCRÁTICA
- caracteriza-se pelo serviço pela animação,
pela distribuição das tarefas, pela confiança
nos catequistas, pelo amor aos pais dos catequizandos, pela
vivência comunitária, pela preocupação
com a formação dos catequistas, pelo relacionamento
humano, afetivo, carinhoso, alegre, mesmo nos erros e nas
tensões.
Acolhe as sugestões, aceita com humildade as críticas,
aponta sempre uma luz nas horas de tensões. Acima de
tudo, elabora um projeto catequético participativo
capaz de gerar um processo de educação da fé
na comunidade.
4. Atribuições da Coordenação
O Diretório Pastoral de Catequese do Rio de Janeiro
(1999), afirma que a Coordenação, em todos os
níveis de atuação de nossa Arquidiocese,
deverá:
"7.1. Ser organizada em todos níveis de atuação
com aceitação e acompanhamento do responsável
imediato: Comunidade Eclesial, Paróquia, Região,
Setor e Arquidiocese.
7.2. A nível paroquial poderá ser desdobrada
em coordenações específicas das diferentes
faixas etárias: Pré-Catequese Infantil, Catequese
de primeiro e segundo estágio em preparação
à Primeira Eucaristia, Catequese de Perseverança,
Catequese de Adolescentes, Catequese Especial, Catequese de
Adultos e Crismal entre outras, desde que todas trabalhem
de forma integrada e sob a orientação da Coordenação
Geral e do Pároco.
7.3. Em todos os níveis de atuação, a
Coordenação da Catequese deverá apresentar
os requisitos fundamentais para o exercício de sua
missão: formação condizente com sua tarefa,
dinamismo, entusiasmo, espírito de comunhão
e participação, humildade, testemunho de vida,
espiritualidade, vivência sacramental, equilíbrio
psicológico, capacidade de trabalhar em equipe, afetividade,
espírito de fé e oração."
Estas orientações podem ser desdobradas em outras,
para todos os níveis de coordenação catequética
da paróquia:
· Elaborar, de maneira participativa, um pequeno projeto
para a catequese, privilegiando o objetivo, o conteúdo
e a metodologia;
· Repassar, aos grupos interessados, qualquer inovação,
exigência ou mudança nos rumos da catequese;
· Participar das reuniões e demais eventos promovidos
pela região, setor, arquidiocese, sempre que solicitado.
A participação em atividades extra-paroquiais
é fundamental para o crescimento da comunidade. Ter
o hábito de preparar um pequeno relatório sobre
a realidade paroquial ou de outras questões pedidas
pelas coordenações regionais ou diocesanas;
· A equipe de coordenação precisa reunir-se
constantemente para rezar, estudar e aprofundar a situação
da pastoral catequética na comunidade;
· Avaliar freqüentemente o processo de educação
da fé na comunidade, através de visitas, encontros,
assembléias.
Reflexão:
· Que outras atividades fazem parte do ministério
da coordenação?
· Como fazer do ministério da coordenação
uma fonte de espiritualidade e de serviço à
catequese?
· Que caminhos as coordenações precisam
percorrer para a dinamização da Catequese na
comunidade?
4. Elementos da formação
A formação deve levar em conta o duplo movimento
de fidelidade: a Deus e ao homem.
A missão que o Catequista é chamado a realizar
exige:
a) intensa vida sacramental e espiritual;
b) familiaridade com a oração;
c) profunda admiração pela mensagem cristã;
d) uma atitude de caridade, humildade e prudência que
permita ao Espírito Santo realizar sua obra fecunda
nos catequizandos.
Sendo a catequese um processo permanente de educação
da fé, também a formação do catequista
deve ser permanente, pois o catequista terá sempre
coisas para aprender em toda a sua vida. "Além
de testemunha, o catequista deve ser mestre que ensina a fé.
Uma formação bíblico-teológica
lhe fornecerá um conhecimento orgânico da mensagem
cristã articulada a partir do mistério central
da fé, que é Jesus Cristo" (DGC 240).
5. Conteúdos a serem aprofundados
O conteúdo desta formação doutrinal é
exigido pelas diversas partes que compõem todo o projeto
orgânico de catequese:
v As três grandes etapas de história da salvação:
Antigo Testamento, Vida de Jesus Cristo e História
da Igreja;
v Os grandes núcleos da mensagem cristã: Símbolo,
Liturgia, Vida Moral e Oração.
A Sagrada Escritura deverá ser como a alma desta formação
e o Catecismo da Igreja Católica o ponto de referência
doutrinal fundamental, juntamente com os materiais catequéticos
publicados. Além disso, precisamos conhecer os documentos
do Magistério da Igreja. A leitura e reflexão
destes livros deverão estar sempre presentes na vida
do catequista.
Para uma formação integral, "é necessário
que o catequista entre em contato, pelo menos, com alguns
elementos fundamentais da psicologia (...) As ciências
sociais procuram o conhecimento do contexto sócio-cultural
em que o homem vive e pelo qual é fortemente influenciado"
(DGC 242).
Além destes conhecimentos, precisamos aprender alguns
elementos da ciência da comunicação: dinâmicas
de grupo, utilização dos recursos didáticos
e meios audiovisuais e também aproveitar das riquezas
da informática.
Por fim, é importante que o catequista conheça
o valor do planejamento, da avaliação e alguns
princípios de metodologia.
Como se vê, a formação do catequista é
algo complexo e dinâmico. Precisamos de humildade e
entusiasmo para aprender sempre.
6. Sugestões de atividades formativas
Não podemos esquecer que a formação do
catequista acontece, em primeiro lugar, na comunidade cristã.
"É nesta que os catequistas experimentam a própria
vocação e alimentam constantemente a própria
sensibilidade apostólica"(DGC 246).
Para isso o coordenador procurará...
Ø ... motivar o grupo de catequistas para reuniões
mensais de preparação dos encontros catequéticos.
Deve-se ver o melhor dia e horário para cada grupo
(catequese infantil, iniciação eucarística,
perseverança, adultos, especial, ...), ainda que sejam
em dias diferentes para cada grupo.
Daí a necessidade de haver coordenadores específicos
para cada grupo.
Ø ... garantir um encontro anual para o "grupão"
de catequistas se reunir e aprofundar algum tema necessário
para a sua formação integral;
Ø ... incentivar a participação dos catequistas
em cursos da paróquia, ou em encontros formativos da
região, setor e arquidiocese.
Vamos aprender a trabalhar com representatividade? Se não
der para enviar todos, insista para que, ao menos um catequista
esteja presente nestes momentos e torne-se agente multiplicador
na comunidade.
Ø ... não esquecer dos auxiliares, que se preparam
para ser catequistas: eles merecem uma atenção
especial, a mesma qualidade de formação.
Ø ... incentivar a participação dos catequistas
na Escola da Fé Paroquial.
"Formar os formadores", esta deve ser uma meta constante
da equipe de coordenação da catequese. Logo,
a formação "possibilitará o crescimento
do catequista no equilíbrio afetivo, no senso crítico,
na unidade interior, na capacidade de relações
e de diálogo, no espírito construtivo e no trabalho
de grupo" (DGC 239). Iintegrar o conhecimento numa vida
correta, inspirada pelos valores do Evangelho para anunciar
a Palavra de Deus, é a meta do catequista.
7. Conclusão:
Ninguém nasce catequista. Aqueles que são chamados
a esta missão tornam-se bons catequistas através
da prática, da reflexão e da preparação
adequada. Para colaborar na formação de discípulos
de Cristo, o catequista deve ser, em primeiro lugar, um discípulo
amoroso, humilde, alegre e fiel.
A fé foi colocada por Deus no coração
do homem. A tarefa do catequista é a de cultivar este
Dom, alimentá-lo e ajudá-lo a crescer primeiro
em seu coração para que deixe transbordar esta
experiência de vida cristã para os irmãos.
Siglas utilizadas:
DCG - Diretório Catequético Geral, Sagrada Congregação
para o Clero, 1971.
DGC - Diretório Geral para a Catequese, Sagrada Congregação
para o Clero, 1997.
MINISTÉRIO DA COORDENAÇÃO
1. Introdução
A Catequese nos últimos anos deu passos significativos.
Em toda parte percebe-se um fervilhar de novas experiências
e métodos mais adequados que nos orientem na caminhada.
Este processo de renovação depara-se com alguns
desafios: a catequese não pode ser uma simples iniciativa
baseada na boa vontade, na improvisação. Disso
decorre a necessidade de pensar, organizar e atualizar a catequese,
buscar novos rumos, animar os catequistas, criar um clima
humano-afetivo. Surge assim a missão do coordenador
do qual depende, em grande parte, a dinâmica e a renovação
da catequese numa comunidade.
"A atividade pastoral não pode processar-se às
cegas. O apóstolo não corre em busca do incerto,
nem golpeia no ar". (Paulo VI)
Coordenação vem da palavra "co-ordinatione"
que significa: dispor certa ordem ou método",
organizar o conjunto, por em ordem o desconjunto. É
uma "co-operação", uma ação
de "co-responsabilidade entre os iguais". A coordenação
promove a união de esforços, de objetivos comuns
e de atividades comunitárias, evitando o paralelismo,
o isolamento na ação catequética. A coordenação
tem por finalidade criar relações, facilitar
a participação, desenvolver a sociabilidade,
levar à cooperação, comprometer na co-responsabilidade,
realizar a interação e tornar eficaz o conjunto
da caminhada catequética.
Para essa missão se requer um trabalho de grupo, e
não de uma só pessoa.
A catequese renova-se mais rapidamente, especialmente no mundo
urbano, quando uma comunidade investe na equipe de coordenação
e esta assume sua missão articuladora, animadora da
catequese .
2. O Exemplo de Jesus
Nesse sentido o MINISTÉRIO DA COORDENAÇÃO
reveste-se de uma mística, de uma espiritualidade,
de uma missão. Coordenar é integrar, animar,
avaliar, revisar, celebrar, incentivar a caminhada da catequese.
O ministério da coordenação é
o serviço que mantém viva a caminhada da catequese
em sintonia com as opções diocesanas, paroquiais,
e segundo as exigências de uma catequese renovada. E
o coordenador encontra seu modelo, sua inspiração
e a fonte de graça para exercer seu ministério
na Pessoa de Jesus.
Sabemos que Jesus Cristo não quis assumir sua missão
sozinho. Fez-se cercar do grupo dos doze (Mc 3,13). Com eles
vai criando sua comunidade. Os Evangelhos nos mostram que
várias atitudes de Jesus caracterizam-se por um amor
cordial e concreto pelas pessoas. Vejamos algumas situações:
a) JESUS CONHECE AS PESSOAS E AS ACEITA COMO SÃO. Parte
daquilo que são os discípulos, e não
daquilo que deveriam ser para conduzir cada um a um crescimento
cada vez mais profundo (Jo 20, 27; Lc 22, 61; Lc 24, 13-35).
b) JESUS EXERCE SUA AUTORIDADE COM CARIDADE. É aquele
que serve ( Jo 13, 1-20). "Eu não vim para ser
servido, mas para servir" (Mc 10, 45). Para Jesus, todos
têm uma caminhada a fazer, uma conversação
a realizar, uma esperança a construir. A grande norma
do grupo é o mandamento do amor.
c) JESUS SITUA-SE DENTRO DA COMUNIDADE E A DIRIGE COM AMOR.
A presença de Jesus é viva no meio da comunidade.
Ensina a partilhar e ser solidário em tudo (Jo 6, 1-15).
d) JESUS FALA DA NECESSIDADE DE SUA PAIXÃO e convida
seus discípulos a partilhar sua Cruz, vivida e assumida
na fé e na esperança, porque passando por ela
constrói-se o Reino (Lc 9, 22-26).
e) JESUS CRIOU UMA COMUNIDADE PARA A MISSÃO. A comunidade
é um caminho de crescente fraternidade e abertura para
a missão. O apóstolo Paulo nos alerta (Rm 12,
9-21) para que tenhamos os mesmos sentimentos de Jesus Cristo.
Isto é, que a nossa missão de coordenadores
não seja uma forma de vanglória e nem um fardo
nos ombros dos outros, mas que seja uma continuidade da missão
de Jesus Cristo na edificação do Reino.
3. Perfil do Coordenador
O Ministério da Coordenação é
o serviço que suscita e integra através de ações
concretas as forças vivas da catequese: pároco,
catequistas, pais, catequizandos e as outras pastorais.
Este ministério deve ser exercido com alegria, como
uma fonte de espiritualidade, como um serviço em prol
do Reino: animando os catequistas, abrindo novos horizontes,
atualizando-se continuamente, estando em sintonia com as orientações
diocesanas, criando um clima de acolhida, partilha e confiança.
Desse modo, a catequese surge como luz na comunidade.
Existem diversas maneiras de exercer o ministério da
coordenação. Dentre elas destacamos as seguintes:
· COORDENAÇÃO CENTRALIZADORA - sobressai
a função. Não divide tarefas. Não
confia totalmente no grupo. Normalmente uma coordenação
centralizada é autoritária, por vezes distante
da caminhada da catequese e dos reais problemas dos catequistas,
dos catequizandos, dos pais e da comunidade cristã.
Numa coordenação centralizada, com facilidade
surgem os descontentamentos, as divisões, os subgrupos,
o desânimo e as desistências.
· COORDENAÇÃO FRATERNA, DEMOCRÁTICA
- caracteriza-se pelo serviço pela animação,
pela distribuição das tarefas, pela confiança
nos catequistas, pelo amor aos pais dos catequizandos, pela
vivência comunitária, pela preocupação
com a formação dos catequistas, pelo relacionamento
humano, afetivo, carinhoso, alegre, mesmo nos erros e nas
tensões.
Acolhe as sugestões, aceita com humildade as críticas,
aponta sempre uma luz nas horas de tensões. Acima de
tudo, elabora um projeto catequético participativo
capaz de gerar um processo de educação da fé
na comunidade.
4. Atribuições da Coordenação
O Diretório Pastoral de Catequese do Rio de Janeiro
(1999), afirma que a Coordenação, em todos os
níveis de atuação de nossa Arquidiocese,
deverá:
"7.1. Ser organizada em todos níveis de atuação
com aceitação e acompanhamento do responsável
imediato: Comunidade Eclesial, Paróquia, Região,
Setor e Arquidiocese.
7.2. A nível paroquial poderá ser desdobrada
em coordenações específicas das diferentes
faixas etárias: Pré-Catequese Infantil, Catequese
de primeiro e segundo estágio em preparação
à Primeira Eucaristia, Catequese de Perseverança,
Catequese de Adolescentes, Catequese Especial, Catequese de
Adultos e Crismal entre outras, desde que todas trabalhem
de forma integrada e sob a orientação da Coordenação
Geral e do Pároco.
7.3. Em todos os níveis de atuação, a
Coordenação da Catequese deverá apresentar
os requisitos fundamentais para o exercício de sua
missão: formação condizente com sua tarefa,
dinamismo, entusiasmo, espírito de comunhão
e participação, humildade, testemunho de vida,
espiritualidade, vivência sacramental, equilíbrio
psicológico, capacidade de trabalhar em equipe, afetividade,
espírito de fé e oração."
Estas orientações podem ser desdobradas em outras,
para todos os níveis de coordenação catequética
da paróquia:
· Elaborar, de maneira participativa, um pequeno projeto
para a catequese, privilegiando o objetivo, o conteúdo
e a metodologia;
· Repassar, aos grupos interessados, qualquer inovação,
exigência ou mudança nos rumos da catequese;

· Participar das reuniões e demais eventos promovidos
pela região, setor, arquidiocese, sempre que solicitado.
A participação em atividades extra-paroquiais
é fundamental para o crescimento da comunidade. Ter
o hábito de preparar um pequeno relatório sobre
a realidade paroquial ou de outrasquestões pedidas
pelas coordenações regionais ou diocesanas;
· A equipe de coordenação precisa reunir-se
constantemente para rezar, estudar e aprofundar a situação
da pastoral catequética na comunidade;
· Avaliar freqüentemente o processo de educação
da fé na comunidade, através de visitas, encontros,
assembléias.
SOMOS
· Animadores
· Companheiros de trabalho
· Colaboradores
· Ponte
· Catequista em serviço
|
NÃO SOMOS
· Fiscais
· Meninos de recado
· Ditadores
· Burocratas
· Espectadores |
| EM RELAÇÃO ÀS PARÓQUIAS
DEVEMOS: |
CONHECER
· O pároco
· O coordenador
· Horário/ cronograma
· Tipo de materiais
· Talentos especiais
· Critérios de avaliação
|
APARECER
· Reuniões
· Periodicamente nos eventos
· Acompanhar nas solicitações
OFERECER
· Presença, ouvido, ombro
· Troca de experiências
· Sugestões de material
· Notícias
· Canal de reivindicações
|
EM RELAÇÃO
AO SETOR E À REGIÃO EPISCOPAL:
· Trazer o sucesso , a dificuldade
· Divulgar material
· Sugerir, tomar iniciativa
· Conhecer a equipe
· Avaliar criticamente tudo que faz
· Pontualidade nos prazos |
EM NÍVEL PESSOAL:
· Ser pontual, fraterno com as pessoas, ter cuidado
com a sensibilidade do irmão.
· Ser atualizado, com textos, manuais catequéticos
e diretrizes gerais da Igreja.
· Fazer constantes pesquisas para se aprimorar
e atualizar. |
Reflexão:
· Que outras atividades fazem parte do ministério
da coordenação?
· Como fazer do ministério da coordenação
uma fonte de espiritualidade e de serviço à
catequese?
· Que caminhos as coordenações precisam
percorrer para a dinamização da Catequese na
comunidade?Topo
VOLTAR
|