:: Introdução
Liturgia não é somente a “Festa do Rei Jesus...”
Um
dos nossos maiores pecados hoje em dia é reduzirmos o
assunto liturgia à celebração da missa e defini-la apenas
como um conjunto de rituais e orações que nos levam ao
céu. E tudo isso fruto de uma crescente automação
religiosa, que podemos perceber a cada domingo em nossas
assembléias litúrgicas. As pessoas vão à missa sem saber o
porque de estarem ali e nem o que está acontecendo perante
elas. São meros espectadores do preceito dominical
ensinado por seus pais. Talvez seja por isso que nós
católicos sejamos tão criticados.
Destinados àqueles que querem assumir em plenitude o
mistério que Cristo confiou à sua Igreja, e romper com
“tradicionalismos”, este manual, de maneira simples e
objetiva, abordará de um modo geral a liturgia em si,
dedicando, a seguir, uma atenção especial ao rito da
missa, que é muito mais que “a festa do Rei Jesus...”
Uma
breve palavra sobre história da salvação
Vale
aqui recordar que o sentido da palavra “salvar” em
Teologia significa “unir com Deus”. O gráfico mostra como
Deus, após a queda original, age na história da
humanidade, até que esta assuma sua plenitude, conforme os
planos originais do Pai (I Jo 3,2).
E
como se dá a ação do Pai na história? Ela é essencialmente
Cristológica. Cristo é o nosso intercessor ao longo de
toda história (Ef 1), por ele somos salvos. De fato,
Cristo esteve presente no início da história, pois todas
as coisas foram criadas nele (Jo 1,3). Está presente junto
ao povo da antiga aliança, através da promessa,
manifestada através dos patriarcas e profetas. Encarna-se
na plenitude dos tempos, salvando-nos definitivamente
através de sua paixão, morte e ressurreição. Ascende aos
céus, prometendo permanecer conosco até o fim dos tempos
(Mt 28,20). Presença essa mística, manifesta em sua Igreja
e em seus sacramentos - a liturgia. No final dos tempos
Cristo retornará para levar toda criação à plenitude.
Definição
Após
considerarmos estes aspectos, podemos apropriar-nos da
definição que a Igreja faz da liturgia:
“Liturgia é uma ação sagrada, através da qual, com ritos,
na Igreja e pela Igreja, se exerce e prolonga a obra
sacerdotal de Cristo, que tem por objetivos a santificação
dos homens e a glorificação de Deus” (SC 7).
Em
outras palavras, a liturgia é a continuidade do plano de
salvação do Pai, através da presença mística de Cristo nos
sacramentos, que são administrados e perpetuados pela
Igreja. Note-se, à Igreja cabe a missão de continuar a
obra de Cristo, que se dá, sobretudo, através da liturgia.
Sem liturgia, não há Igreja e sem Igreja não há liturgia.
E sem liturgia não há continuidade no mistério da salvação
da humanidade.
A
Liturgia da Missa
Sentido, valor e utilidade
Certa
ocasião, numa cidade do interior, o bispo da diocese fora
visitar as obras de construção de uma Igreja. Ele então,
viu vários operários carregando tijolos de um lado para
outro e resolveu conversar com alguns deles:
- O
que você está fazendo?
E o
primeiro responde-lhe:
-
Carrego tijolos.
O
segundo, feita a mesma pergunta, responde:
-
Estou garantindo o leite de meus filhos.
Fazendo a mesma pergunta a um terceiro operário, este
responde ao bispo:
-
Estou ajudando a construir uma igreja, aonde as pessoas
virão agradecer a Deus por tudo que ele faz em suas vidas.
Três
pessoas, a mesma ação. E para cada uma delas a ação tinha
um sentido diferente. É o mesmo que ocorre com a missa.
Para alguns, não há sentido, pois fazem seus atos sem ter
consciência deles. Outros têm uma visão muito
individualista do que fazem, e por fim há os que enxergam
o todo da realidade em que participam, fazendo seus atos
terem um sentido total. E nós, em qual grupo nos
encaixamos?
Antes
de respondermos, analisemos o sentido da missa. A missa é
uma celebração. E celebrar, “é tornar presente uma
realidade através de um rito”. Na celebração, temos sempre
presentes o passado, o presente e o futuro, que em breves
momentos unem-se num tempo só, a eternidade. E qual a
finalidade de uma celebração? Nenhuma. A celebração possui
valor. Aliás, as coisas mais importantes do homem como o
lazer, o amor, a arte, a oração não tem uma finalidade
produtiva, mas sim valor. E o valor da missa é tornarmos
presente a paixão-morte-ressurreição de Cristo através da
celebração, e assim participarmos mais ainda do mistério
de salvação da humanidade.
Vale
a pena ainda lembrar que, ao tornarmos presente o
sacrifício de Cristo não quer dizer que estejamos
novamente sacrificando o Cristo. Partindo do princípio que
a salvação de Cristo não se prende à nossa visão de
presente, passado e futuro, mas coloca-se no nível da
eternidade, podemos afirmar que Cristo ao morrer na cruz
salva todos os homens em todos os tempos, e a cada
instante. É como se em cada missa, você estivesse aos pés
da cruz contemplando o mistério da redenção da humanidade.
E é o que acontece em cada missa, em cada eucaristia
celebrada. E aí está o amor de Cristo ao dar-se na
Eucaristia, em forma de alimento.
“Receita” de Missa
Para
realizarmos uma missa precisamos de alguns ingredientes,
assim como uma receita de bolo:
a)
A
palavra de Deus
b)
Altar
(a missa é uma ceia, precisamos de uma mesa);
c)
Assembléia
(no mínimo uma pessoa);
d)
Intenção
do
que se faz, tanto da parte da assembléia quanto do
ministro;
e)
Ministro ordenado
(padre ou bispo);
f)
Pão,
água e vinho.
Estes
são os ingredientes indispensáveis a qualquer celebração
eucarística. Sobre cada um deles, explicaremos no decorrer
de cada parte da missa.
Uma
mudança de palavras
Outrora, a missa não possuía este nome, mas era chamada de
ceia do Senhor ou eucaristia. De fato, a missa é uma ceia
onde nos encontramos com os irmãos para juntos
alimentarmo-nos do próprio Deus, que se dá em alimento por
sua Palavra e pelo pão e o vinho. E a missa também é
eucaristia. O que vem a ser isso?
Eucaristia significa ação de graças. No capítulo 24 do
livro do Gênesis, vemos um exemplo de ação de graças. Após
a morte de sua esposa Sara, Abraão pede ao seu servo mais
antigo que procure uma esposa para seu filho Isaac. O
servo parte em busca desta mulher, mas como iria
reconhecê-la? Pede a Deus um sinal e o servo a reconhece
quando uma bela jovem dá de beber de seu cântaro ao servo
e seus camelos. E qual sua reação após este fato? “O servo
inclinou-se diante do Senhor. Bendito seja, exclamou ele,
o Deus de Abraão, meu senhor, que não faltou à sua bondade
e à sua fidelidade. Ele conduziu-me diretamente à casa dos
parentes de meu Senhor” (Gn 24,26-27). Eis aqui uma ação
de graças.
Quais
os seus elementos? Temos antes de tudo um fato
maravilhoso, uma bênção, um benefício, uma graça
alcançada, manifestação da bondade de Deus. Depois, a
admiração. O servo inclina-se diante do Senhor. Esta
admiração manifesta-se pela exclamação e
aclamação. Ele não faltou à sua bondade e à sua
fidelidade. Proclama, então, o fato, narra o
acontecimento, o benefício, a Bênção recebida.
Todos estes elementos encontram-se no contexto da missa,
como veremos adiante.
E por
que então a missa possui este nome? Por enquanto
acompanhemos a missa parte por parte e as respostas serão
dadas.
Ritos Iniciais
Instrução Geral ao Missal Romano, n.º 24:
“Os ritos iniciais ou as partes que precedem a liturgia da
palavra, isto é, cântico de entrada, saudação, ato
penitencial, Senhor, Glória e oração da coleta, têm o
caráter de exórdio, introdução e preparação. Estes ritos
têm por finalidade fazer com que os fiéis, reunindo-se em
assembléia, constituam uma comunhão e se disponham para
ouvir atentamente a Palavra de Deus e celebrar dignamente
a Eucaristia”.
1.
Comentário Inicial
Este
tem por fim introduzir os fiéis ao mistério celebrado. Sua
posição correta seria após a saudação do padre, pois ao
nos encontrarmos com uma pessoa primeiro a saudamos para
depois iniciarmos qualquer atividade com ela.
2.
Canto de Entrada
“Reunido o povo, enquanto o sacerdote entra com os
ministros, começa o canto de entrada. A finalidade desse
canto é abrir a celebração, promover a união da
assembléia, introduzir no mistério do tempo litúrgico ou
da festa, e acompanhar a procissão do sacerdote e dos
ministros”(IGMR n.25)
Durante o canto de entrada percebemos alguns elementos que
compõem o início da missa:
a)
O canto
Durante a missa, todas as músicas fazem parte de cada
momento. Através da música participamos da missa cantando.
A música não é simplesmente acompanhamento ou trilha
musical da celebração: a música é também nossa forma de
louvarmos a Deus. Daí a importância da participação de
toda assembléia durante os cantos.
b)
A procissão
O
povo de Deus é um povo peregrino, que caminha rumo ao
coração do Pai. Todas as procissões têm esse sentido:
caminho a se percorrer e objetivo a que se quer chegar.
c)
O beijo no altar
Durante a missa, o pão e o vinho são consagrados no altar,
ou seja, é no altar que ocorre o mistério eucarístico. O
presidente da celebração ao chegar beija o altar em sinal
de carinho e reverência por tão sublime lugar.
Por
incrível que possa parecer, o local mais importante de uma
igreja é o altar, pois ao contrário do que muita gente
pensa, as hóstias guardadas no sacrário nunca poderiam
estar ali se não houvesse um altar para consagrá-las.
3.
Saudação
a)
Sinal da Cruz
O
presidente da celebração e a assembléia recordam-se por
que estão celebrando a missa. É, sobretudo pela graça de
Deus, em resposta ao seu amor. Nenhum motivo particular
deve sobrepor-se à gratuidade. Pelo sinal da cruz nos
lembramos que pela cruz de Cristo nos aproximamos da
Santíssima Trindade.
b)
Saudação
Retirada na sua maioria dos cumprimentos de Paulo, o
presidente da celebração e a assembléia se saúdam. O
encontro eucarístico é movido unicamente pelo amor de
Deus, mas também é encontro com os irmãos.
4.
Ato Penitencial
Após
saudar a assembléia presente, o sacerdote convida toda
assembléia a, em um momento de silêncio, reconhecer-se
pecadora e necessitada da misericórdia de Deus. Após o
reconhecimento da necessidade da misericórdia divina, o
povo a pede em forma de ato de contrição: Confesso a
Deus Todo-Poderoso... Em forma de diálogo por
versículos bíblicos: Tende compaixão de nós... Ou
em forma de ladainha: Senhor, que viestes salvar...
Após, segue-se a absolvição do sacerdote. Tal ato pode ser
substituído pela aspersão da água, que nos convida a
rememorar-nos o nosso compromisso assumido pelo batismo e
através do simbolismo da água pedirmos para sermos
purificados.
Cabe
aqui dizer, que o “Senhor, tende piedade” não pertence
necessariamente ao ato penitencial. Este se dá após a
absolvição do padre e é um canto que clama pela piedade de
Deus. Daí ser um erro omiti-lo após o ato penitencial
quando este é cantando. O “Senhor, tende piedade” poderá
fazer parte do ato penitencial, mas para isso é necessário
a inserção de uma característica de Deus. Ainda com
relação ao texto do “Senhor...”, os vocativos presentes em
cada frase referem-se a Jesus Cristo, aquele que intercede
ao Pai por nossos pecados.
5.
Hino de Louvor
Espécie de salmo composto pela Igreja, o glória é uma
mistura de louvor e súplica, em que a assembléia
congregada no Espírito Santo, dirige-se ao Pai e ao
Cordeiro. é proclamado nos domingos - exceto os do tempo
da quaresma e do advento - e em celebrações especiais, de
caráter mais solene.
6.
Oração da Coleta
Encerra o rito de entrada e introduz a assembléia na
celebração do dia.
“Após o convite do celebrante, todos se conservam em
silêncio por alguns instantes, tomando consciência de que
estão na presença de Deus e formulando interiormente seus
pedidos. Depois o sacerdote diz a oração que se costuma
chamar de ‘coleta’, a qual a assembléia dá o seu
assentimento com o ‘Amém’ final” (IGMR 32).
Dentro da oração da coleta podemos perceber os seguintes
elementos: invocação, pedido e finalidade.
Liturgia da Palavra
Não
existe celebração na liturgia cristã em que não se
proclame a Palavra de Deus. Isto porque a Igreja antes de
tornar presente os mistérios de Cristo ela os contempla.
Pela palavra, Deus convoca e recria o seu povo, através de
uma resposta de conversão da parte de quem a ouve.
“A
parte principal da Palavra de Deus é constituída pelas
leituras da Sagrada Escritura e pelos Cânticos que ocorrem
entre elas, sendo desenvolvida e concluída pela homilia, a
profissão de fé e a oração universal ou dos fiéis. Pois
nas leituras explanadas pela homilia Deus fala ao seu
povo, revela o mistério da redenção e da salvação, e
oferece alimento espiritual.; e o próprio Cristo, por sua
palavra, se acha presente no meio dos fiéis. Pelos
cânticos, o povo se apropria dessa palavra de Deus e a ele
adere pela profissão de fé. Alimentado por esta palavra,
reza na oração universal pelas necessidades de toda a
Igreja e pela salvação do mundo inteiro”(IGMR 33).
1. I
, II Leituras e Salmo
Para
compreendermos melhor a liturgia da Palavra é necessário
distinguir entre a liturgia dominical e a liturgia dos
dias da semana. A primeira é dividida em três anos, nos
quais a Igreja procura ler toda a Bíblia. Nos dias de
domingo e festas o esquema das leituras é o seguinte:
Primeira leitura, salmo, segunda leitura, aclamação ao
Evangelho e evangelho. A primeira leitura e o evangelho
tratam geralmente do mesmo assunto, para mostrar Jesus
como aquele que leva à plenitude a antiga aliança; o
salmo, é uma meditação da leitura, uma espécie de
comentário cantado - daí ser insubstituível; a segunda
leitura é feita de forma semi-contínua, sempre extraída da
carta do apóstolo. Já a liturgia dos dias da semana não
apresenta a segunda leitura, e toda a Bíblia é lida todos
os anos.
2.
Evangelho
É o
ponto alto da liturgia da Palavra. Cristo torna-se
presente através de sua Palavra e da pessoa do sacerdote.
Tal momento é revestido de cerimônia, devido sua
importância. Todos ficam de pé e aclamam o Cristo que
fala. O diácono ou o padre dirigem-se à mesa da palavra
para proclamá-la. O que proclama a Palavra do evangelho
menciona a presença do Cristo vivo entre nós. Faz o sinal
da cruz na testa, na boca e no coração para que todo o ser
fique impregnado da mensagem do Evangelho: a mente a
acolha, a boca a proclame e o coração a sinta e a viva.
3.
Homilia
A
homilia faz a transição entre a palavra de Deus e sua
resposta. É feita exclusivamente por um ministro ordenado,
pois este recebeu, através da imposição das mãos o dom
especial para pregar o Evangelho. A função da homilia é
confrontar o mistério celebrado com a vida da comunidade.
Na homilia, o sacerdote anima o povo, exorta-o e se for
preciso o denuncia, mostrando a distância entre o ideal
proposto e a vida concreta do povo.
4.
Profissão de fé
“O
símbolo ou profissão de fé, na celebração da missa, tem
por objetivo levar o povo a dar seu assentimento e
resposta à palavra de Deus ouvida nas leituras e homilia,
bem como lhe recordar a regra da fé antes de iniciar a
celebração da eucaristia”(IGMR 43).
A
profissão de fé consiste na primeira resposta dada à
Palavra de Deus. Nela cremos e aderimos, manifestando
também nossa fé naquela que possui a incumbência de
perpetuar esta palavra: a Igreja Católica. Possui duas
formas, sendo a mais extensa proclamada em solenidades
especiais, como o Natal, Anunciação etc.
5.
Preces da comunidade
“Na oração dos fiéis ou oração universal, a assembléia dos
fiéis, iluminada pela graça de Deus, à qual de certo modo
responde, pede normalmente pelas necessidades da Igreja
universal e da comunidade local, pela salvação do mundo,
pelos que se encontram em qualquer necessidade e por
grupos determinados de pessoas” (IGMR 30).
O
povo de Deus ouve a Palavra de Deus, a acolhe e dá a sua
resposta. Esta pode ser em forma de louvor, de súplica,
adoração ou intercessão. Pede a Deus a graça de poder
realizar a sua vontade; porém ele não é egoísta: pede por
todos para que também possam realizar esta palavra e assim
encontrar o sentido para suas vidas. Pede pela Igreja,
para que esta tenha coragem de continuar proclamando esta
palavra. Pede por aqueles que sofrem e pelas autoridades
locais, para que concretizem o Reino de Deus entre nós.
Finalmente faz seus pedidos pela comunidade local.
Talvez seria de imensa riqueza para a liturgia se as
preces fossem feitas de modo espontâneo, mas para isso
seria necessário ordem e instrução por parte da
assembléia. Seria necessário lembrar que a resposta à
Palavra de Deus nunca se dá de modo egoísta.
Liturgia Eucarística
Na
liturgia eucarística atingimos o ponto alto da celebração.
Durante ela a Igreja irá tornar presente o sacrifício que
Cristo fez para nossa salvação. Não se trata de outro
sacrifício, mas sim de trazer à nossa realidade a salvação
que Deus nos deu. Durante esta parte a Igreja eleva ao
Pai, por Cristo, sua oferta e Cristo dá-se como oferta por
nós ao Pai, trazendo-nos graças e bênçãos para nossas
vidas.
“Cristo na verdade, tomou o pão e o cálice em suas mãos,
deu graças, partiu o pão e deu-os aos seus discípulos
dizendo: ‘Tomai, comei, isto é o meu Corpo, este é o
cálice do meu Sangue. Fazei isto em memória de mim’. Por
isso, a Igreja dispôs toda a celebração da liturgia
eucarística em partes que correspondam às palavras e
gestos de Cristo: 1) no ofertório leva-se o pão e o vinho
com água, isto é, os elementos que Cristo tomou em suas
mãos; 2) na oração eucarística rendem-se graças a Deus por
toda obra salvífica e o pão e vinho tornam-se o Corpo e o
Sangue de Cristo; 3) pela fração do mesmo pão manifesta-se
a unidade dos fiéis, e pela comunhão recebem o Corpo e o
Sangue do Senhor como os discípulos o receberam das mãos
do próprio Cristo” (IGMR 48).
É
durante a liturgia eucarística que podemos entender a
missa como uma ceia, pois afinal de contas nela podemos
enxergar todos os elementos que compõem uma: temos a mesa
- mais propriamente a mesa da Palavra e a mesa do pão.
Temos o pão e o vinho, ou seja o alimento sólido e líquido
presentes em qualquer ceia. Tudo conforme o espírito da
ceia pascal judaica, em que Cristo instituiu a eucaristia.
E de
fato, a Eucaristia no início da Igreja era celebrada em
uma ceia fraterna. Porém foram ocorrendo alguns abusos,
como Paulo os sinaliza na Primeira Carta aos Coríntios.
Aos poucos foi sendo inserida a celebração da palavra de
Deus antes da ceia fraterna e da consagração. Já no século
II a liturgia da Missa apresentava o esquema que possui
hoje em dia.
Após
essa lembrança de que a Missa também é uma ceia, podemos
nos questionar sobre o sentido de uma ceia, desde o
cafezinho oferecido ao visitante até o mais requintado
jantar diplomático. Uma ceia significa, entre outros:
festa, encontro, união, amor, comunhão, comemoração,
homenagem, amizade, presença, confraternização, diálogo,
ou seja, vida. Aplicando esses aspectos a Missa,
entenderemos o seu significado, principalmente quando
vemos que é o próprio Deus que se dá em alimento. Vemos
que a Missa também é um convívio no Senhor.
A
liturgia eucarística divide-se em: apresentação das
oferendas, oração eucarística e rito da comunhão.
Apresentação das Oferendas
Apesar de conhecida como ofertório, esta parte da Missa é
apenas uma apresentação dos dons que serão ofertados junto
com o Cristo durante a consagração. Devido ao fato de
maioria das Missas essa parte ser cantada não podemos ver
o que acontece durante esse momento. Conhecendo esses
aspectos poderemos dar mais sentido à celebração.
Analisemos inicialmente os elementos do ofertório: o pão o
vinho e a água. O que significam? De fato foram os
elementos utilizados por Cristo na última ceia, mas eles
possuem todo um significado especial:
1) o pão e o vinho representam a vida do homem, o que ele
é, uma vez que ninguém vive sem comer nem beber;
2) representam também o que o homem faz, pois ninguém vai
na roça colher pão nem na fonte buscar vinho;
3) em Cristo o pão e o vinho adquirem um novo significado,
tornando-se o Corpo e o Sangue de Cristo. Como podemos
ver, o que o homem é, e o que o homem faz adquirem um novo
sentido em Jesus Cristo.
E a
água? Durante a apresentação das oferendas, o sacerdote
mergulha algumas gotas de água no vinho. E o porquê disso?
Sabemos que no tempo de Jesus os judeus bebiam vinho
diluído em um pouco de água, e certamente Cristo também
devia fazê-lo pois era verdadeiramente homem. Por outro
lado, a água quando misturada ao vinho adquire a cor e o
sabor deste. Ora, as gotas de água representam a
humanidade que se transforma quando diluída em Cristo.
Os
tempos da preparação das oferendas:
a)
Preparação do altar
“Em primeiro lugar prepara-se o altar ou a mesa do Senhor,
que é o centro de toda liturgia eucarística, colocando-se
nele o corporal, o purificatório, o cálice e o missal , a
não ser que se prepare na credência”(IGMR 49).
b)
Procissão das oferendas
Neste
momento, trazem-se os dons em forma de procissão.
Lembrando que o pão e o vinho representam o que é o homem
e o que ele faz, esta procissão deve revestir-se do
sentimento de doação, ao invés de ser apenas uma entrega
da água e do vinho ao sacerdote.
c)
Apresentação das oferendas a Deus
O
sacerdote apresenta a Deus as oferendas através da
fórmula: Bendito sejais... e o povo aclama:
Bendito seja Deus para sempre! Este momento passa
despercebido da maioria das pessoas devido ao canto do
ofertório. O ideal seria que todo o povo participasse
desse momento, sendo o canto usado apenas durante a
procissão e a coleta fosse feita sem as pessoas saírem de
seus locais. O canto não é proibido, mas deve procurar
durar exatamente o tempo da apresentação das oferendas,
para que o sacerdote não fique esperando para dar
prosseguimento à celebração.
d)
A coleta do ofertório
Já
nas sinagogas hebraicas, após a celebração da Palavra de
Deus, as pessoas costumavam deixar alguma oferta para
auxiliar as pessoas pobres. E de fato, este momento do
ofertório só tem sentido se reflete nossa atitude interior
de dispormos os nossos dons em favor do próximo. Aqui, o
que importa não é a quantidade, mas sim o nosso desejo de
assim como Cristo, nos darmos pelo próximo. Representa o
nosso desejo de aos poucos, deixarmos de celebrar a
eucaristia para nos tornarmos eucaristia.
e)
O lavar as mãos
Após
o sacerdote apresentar as oferendas ele lava suas mãos.
Antigamente, quando as pessoas traziam os elementos da
celebração de suas casas, este gesto tinha caráter
utilitário, pois após pegar os produtos do campo era
necessário que lavasse as mãos. Hoje em dia este gesto
representa a atitude, por parte do sacerdote, de tornar-se
puro para celebrar dignamente a eucaristia.
f)
O Orai Irmãos...
Agora
o sacerdote convida toda assembléia à unir suas orações à
ação de graças do sacerdote.
g)
Oração sobre as Oferendas
Esta
oração coleta os motivos da ação de graças e lança no que
segue, ou seja, a oração eucarística. Sempre muito rica,
deve ser acompanhada com muita atenção e confirmada com o
nosso amém!
A
Oração Eucarística
É na
oração eucarística em que atingimos o ponto alto da
celebração. Nela, através de Cristo que se dá por nós,
mergulhamos no mistério da Santíssima Trindade, mistério
da nossa salvação:
“A
oração eucarística é o centro e ápice de toda celebração,
é prece de ação de graças e santificação. O sacerdote
convida o povo a elevar os corações ao Senhor na oração e
na ação de graças e o associa à prece que dirige a Deus
Pai por Jesus Cristo em nome de toda comunidade. O sentido
desta oração é que toda a assembléia se una com Cristo na
proclamação das maravilhas de Deus e na oblação do
sacrifício” (IGMR 54).
Para
melhor compreendermos a oração eucarística é necessário
que tenhamos em mente as palavras: ação de graças,
sacrifício e páscoa.
1. A
missa é ação de graças
Como
já foi referida anteriormente, a missa também pode ser
chamada de eucaristia, ou seja, ação de graças. E a partir
da passagem do servo de Abraão pudemos ter uma noção do
que é uma oração eucarística ou de ação de graças. Pois
bem, esta atitude de ação de graças recebe o nome de
berakah em hebraico, que traduzindo-se para o grego
originou três outras palavras: euloguia, que
traduz-se por bendizer; eucharistia, que significa
gratidão pelo dom recebido de graça; e exomologuia,
que significa reconhecimento ou confissão.
Diante da riqueza desses significados podemos nos
perguntar: quem dá graças a quem? Ou melhor dizendo, quem
dá dons, quem dá bênçãos a quem? Diante dessa pergunta
podemos perceber que Deus dá graças a sim mesmo,
uma vez que sendo uma comunidade perfeita o Pai ama o
Filho e se dá por ele e o Filho também se dá ao Pai, e
deste amor surge o Espírito Santo. Por sua vez, Deus dá
graças ao homem, uma vez que não se poupou nem de dar
a si mesmo por nós e em resposta o homem dá graças a
Deus, reconhecendo-se criatura e entregando-se ao amor
de Deus. Ora, o homem também dá graças ao homem,
através da doação ao próximo a exemplo de Deus. Também o
homem dá graças a natureza, respeitando-a e
tratando-a como criatura do mesmo Criador. O problema
ecológico que atravessamos é, sobretudo, um problema
eucarístico. A natureza também dá graças ao homem,
se respeitada e amada. A natureza dá graças a Deus
estando à serviço de seu criador a todo instante.
A
partir desta visão da ação de graças começamos a perceber
que a Missa não reduz-se apenas a uma cerimônia realizada
nas Igrejas, ao contrário, a celebração da Eucaristia é a
vivência da ação de Deus em nós, sobretudo através da
libertação que Ele nos trouxe em seu Filho Jesus. Cristo é
a verdadeira e definitiva libertação e aliança, levando à
plenitude a libertação do povo judeu do Egito e a aliança
realizada aos pés do monte Sinai.
2. A
missa é sacrifício
Sacrifício
é uma palavra que possui a mesma raiz grega da palavra
sacerdócio, que do latim temos sacer-dos, o dom
sagrado. O dom sagrado do homem é a vida, pois esta vem de
Deus. Por natureza o homem é um sacerdote. Perdeu esta
condição por causa do pecado. Sacrifício, então, significa
o que é feito sagrado. O homem torna sua vida sagrada
quando reconhece que esta é dom de Deus. Jesus Cristo faz
justamente isso: na condição de homem reconhece-se como
criatura e se entrega totalmente ao Pai, não poupando nem
sua própria vida. Jesus nesse momento está representando
toda a humanidade. Através de sua morte na cruz dá a
chance aos homens e às mulheres de novamente orientarem
suas vidas ao Pai assumindo assim sua condição de
sacerdotes e sacerdotisas.
Com
isso queremos tirar aquela visão negativa de que
sacrifício é algo que representa a morte e a dor. Estas
coisas são necessárias dentro do mistério da salvação pois
só assim o homem pode reconhecer sua fraqueza e sua
condição de criatura.
3. A
Missa também é Páscoa
A
Páscoa foi a passagem da escravidão do Egito para a
liberdade, bem como a aliança selada no monte Sinai entre
Deus e o povo hebreu. E diante desses fatos o povo hebreu
sempre celebrou essa passagem, através da Páscoa anual,
das celebrações da Palavra aos sábados, na sinagoga e
diariamente, antes de levantar-se e deitar-se,
reconhecendo a experiência de Deus em suas vidas e
louvando a Deus pelas experiências pascais vividas ao
longo do dia. O povo judeu vivia em atitude de ação de
graças, vivendo a todo instante a Páscoa em suas vidas.
E é
dentro da celebração da Páscoa anual dos judeus que Jesus
Cristo institui o sacramento da Eucaristia, dando o seu
corpo como sinal de libertação definitiva e dando seu
sangue para selar a nova e eterna aliança. Em Cristo dá-se
a verdadeira páscoa, o encontro definitivo do homem com
Deus.
Fazei
isto em memória de mim
Cristo ao instituir a Páscoa-rito para os cristãos deixa
uma ordem ao final dela: “Fazei isto em memória de mim”.
Mas o que pode significar esta ordem? Pode significar o
fato de que, todas as vezes que quisermos celebrar a
Páscoa devemos dar graças, consagrar o pão e reparti-lo
com os irmãos. Mas será que apenas foi isto que Cristo
mencionou na última ceia? Durante as palavras da
consagração é muito forte a idéia de doação: “Tomou o pão
e o deu a seus discípulos”, “Isto é o meu corpo,
isto é o meu sangue dados por vós”. A meu ver,
Cristo nos chama a ser pão e vinho dado aos irmãos. Cristo
nos chama a darmos o nosso corpo e o nosso sangue para,
desse modo, fazermos memória a ele.
O
esquema da oração eucarística segue aquele esquema
referente a berakah dos judeus. Em resumo temos o
seguinte:
1)
O
fato maravilhoso -
Expresso no prefácio, relembra os benefícios, as bênçãos
de Deus em nossas vidas.
2)
Admiração -
Sentimento que atravessa toda oração.
3)
Exclamações e aclamações
da
assembléia ao longo da oração eucarística.
4)
Proclamação
ou a
memória dos benefícios, através da consagração das
espécies.
5)
Pedidos e intercessões
6)
Louvor final -
Por
Cristo, com Cristo, em Cristo...
Após
essas breves considerações vejamos agora como se
esquematiza a oração eucarística:
a)
Definição
“Trata-se de uma ação de graças ao Pai, por Cristo, no
Espírito Santo. A Igreja rende graças a Deus Pai pelas
maravilhas operadas por Cristo, no Espírito Santo. Ela
louva, bendiz e agradece ao Pai. Comemora o Filho. Invoca
o Espírito Santo”.
b)
Prefácio
Após
o diálogo introdutório, o prefácio possui a função de
introduzir a assembléia na grande ação de graças que se dá
a partir deste ponto. Existem inúmeros prefácios,
abordando sobre os mais diversos temas: a vida dos santos,
Nossa Senhora, Páscoa etc.
c)
O Santo
É a
primeira grande aclamação da assembléia a Deus Pai em
Jesus Cristo. O correto é que seja sempre cantado.
d)
A invocação do Espírito Santo
Através dele Cristo realizou sua ação quando presente na
história e a realiza nos tempos atuais. A Igreja nasce do
espírito Santo, que transforma o pão e o vinho. A Igreja
tem sua força na Eucaristia.
e)
A consagração
Deve
ser toda acompanhada por nós. É reprovável o hábito de
permanecer-se de cabeça baixa durante esse momento.
Reprovável ainda é qualquer tipo de manifestação quando o
sacerdote ergue a hóstia, pois este é um momento sublime e
de profunda adoração. Nesse momento o mistério do amor do
Pai é renovado em nós. Cristo dá-se por nós ao Pai
trazendo graças para nossos corações. Daí ser esse um
momento de profundo silêncio.
f)
Preces e intercessões
Reconhecendo a ação de Cristo pelo Espírito Santo em nós,
a Igreja pede a graça de abrir-se a ela, tornando-se uma
só unidade. Pede para que o papa e seus auxiliares sejam
capazes de levar o Espírito Santo a todos. Pede pelos
fiéis que já se foram e pede a graça de, a exemplo de
Nossa Senhora e dos santos, os fiéis possam chegar ao
Reino para todos preparados pelo Pai.
g)
Doxologia Final
É uma
espécie de resumo de toda a oração eucarística, em que o
sacerdote tendo o Corpo e Sangue de Cristo em suas mãos
louva ao Pai e toda assembléia responde com um grande
“amém”, que confirma tudo aquilo que ela viveu.
Rito da Comunhão
A
oração eucarística representa a dimensão vertical da
Missa, em que nos unimos plenamente a Deus em Cristo. Após
alcançarmos a comunhão com Deus Pai, o desencadeamento
natural dos fatos é o encontro com os irmãos, uma vez que
Cristo é único e é tudo em todos. Este é o momento
horizontal da Missa. Tem também esse momento o intuito de
preparar-nos ao banquete eucarístico.
a)
O Pai-Nosso
É o
desfecho natural da oração eucarística. Uma vez que unidos
a Cristo e por ele reconciliados com Deus, nada mais
oportuno do que dizer: Pai nosso... Esta oração
deve ser rezada em grande exaltação, se possível cantada.
Após o Pai Nosso segue o seu embolismo, ou seja, a
continuação do último pensamento da oração. Segue aqui uma
observação: o único local em que não dizemos “amém” ao
final do Pai Nosso é na Missa, dada a continuidade da
oração expressa no embolismo.
b)
Oração pela paz
Uma
vez reconciliados em Cristo, pedimos que a paz se estenda
a todas as pessoas, presentes ou não, para que possam
viver em plenitude o mistério de Cristo. Pede-se também a
Paz para a Igreja, para que, desse modo, possa continuar
sua missão.
c)
O cumprimento da Paz
É um
gesto simbólico, representando nosso bem-querer ao
próximo. Por ser um gesto simbólico não há a necessidade
em sair do local para cumprimentar a todos na Igreja. Se
todos tivessem em mente o simbolismo expresso nesse
momento não seria necessária a dispersão que o caracteriza
na maioria dos casos. Também não é conveniente que se
cante durante esse momento, uma vez que deveria durar
pouco tempo. A música pode ficar para Missas celebradas em
pequenos grupos.
d)
O Cordeiro de Deus
O
sacerdote e a assembléia se preparam em silêncio para a
comunhão. Neste momento o padre mergulha um pedaço do pão
no vinho, representando a união de Cristo presente por
inteiro nas duas espécies. A seguir todos reconhecem sua
pequenez diante de Cristo e como o Centurião exclamam:
Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada,
mas dizei uma só palavra e serei salvo. Cristo não nos
dá apenas sua palavra, mas dá-se por amor a cada um de
nós.
e)
A comunhão
Durante esse momento a assembléia dirige-se à mesa
eucarística. O canto deve procurar ser um canto de louvor
moderado, salientando a doação de Cristo por nós. A
comunhão pode ser recebida nas mãos ou na boca, tendo o
cuidado de, no primeiro caso, a mão que recebe a hóstia
não ser a mesma que a leva a boca. Aqueles que por um
motivo ou outro não comungam é importante que façam desse
momento também um momento de encontro com o Cristo. Após a
comunhão segue-se a ação de graças, que pode ser feita em
forma de um canto de meditação ou pelo silêncio, que
dentro da liturgia possui sua linguagem. O que não pode é
esse momento ser esquecido ou utilizado para conversar com
que está ao nosso lado.
f)
Oração após a comunhão
Infelizmente criou-se o mau costume em nossas assembléias
de se fazer essa oração após os avisos, como uma espécie
de convite apressado para se ir embora. Esta oração
liga-se ainda a liturgia eucarística, e é o seu
fechamento, pedindo a Deus as graças necessárias para se
viver no dia-a-dia tudo que se manifestou perante a
assembléia durante a celebração.
Ritos Finais
“O
rito de encerramento da Missa consta fundamentalmente de
três elementos: a saudação do sacerdote, a bênção, que em
certos dias e ocasiões é enriquecida e expressa pela
oração sobre o povo, ou por outra forma mais solene, e a
própria despedida, em que se despede a assembléia, afim de
que todos voltem ás suas atividades louvando e bendizendo
o Senhor com suas boas obras” (IGMR 57).
Para
muitos, este momento é um alívio, está cumprido o preceito
dominical. Mas para outros, esta parte é o envio, é o
início da transformação do compromisso assumido na Missa
em gestos e atitudes concretas. Ouvimos a Palavra de Deus
e a aceitamos em nossas vidas. Revivemos a Páscoa de
Cristo, assumindo também nós esta passagem da morte para a
vida e unimo-nos ao sacrifício de Cristo ao reconhecer
nossa vida como dom de Deus e orientando-a em sua direção.
Sem
demais delongas, este momento é o oportuno para dar-se
avisos à comunidade, bem como para as últimas orientações
do presidente da celebração. Após, segue-se a bênção do
sacerdote e a despedida. Para alguns liturgistas, esse
momento é um momento de envio, pois o sacerdote abençoa os
fiéis para que estes saiam pelo mundo louvando a Deus com
palavras e gestos, contribuindo assim para sua
transformação. Vejamos o porquê disso.
Passando a despedida para o latim ela soa da seguinte
forma: “Ite, Missa est”. Traduzindo-se para o
português, soa algo como “Ide, tendes uma bênção e uma
missão a cumprir”, pois em latim, missa
significa missão ou demissão, como também pode significar
bênção. Nesse sentido, eucaristia significa bênção, o que
não deixa de ser uma realidade, já que através da doação
de seu Filho, Deus abençoa toda a humanidade. De posse
desta boa-graça dada pelo Pai, os cristãos são re-enviados
ao mundo para que se tornem eucaristia, fonte de bênçãos
para o próximo. Desse modo a Missa reassume todo seu
significado.
Bibliografia
-
Beckhäuser,
Alberto. A Liturgia da Missa. Teologia e
Espiritualidade da Eucaristia. Petropólis, Ed.
Vozes, 1993.
-
Bíblia de Jerusalém.
Paulus, 1996.
-
Cechinato,
Luiz. A Missa Parte por Parte. Petrópolis, Ed.
Vozes, 1979.
-
Duarte,
Luiz Miguel. Liturgia: conheça mais para celebrar
melhor. São Paulo, Paulus, 1996.
-
Instrução Geral ao Missal Romano(IGMR).
-
Góis,
João de Deus. Breve Curso de Liturgia. São Paulo,
Ed. Loyola, 1987.
-
Junior,
Joviano de Lima. A Eucaristia que Celebramos:
explicação popular da Missa. São Paulo, Ed.
Paulinas, 1982.
-
Schnitzler,
Theodor. Missa, mensagem de vida: entenda a missa
para participar melhor. São Paulo, Ed. Paulinas,
1978.