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CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL

 BATISMO DE CRIANÇAS

Subsídios teológico-litúrgico-pastorais
Documento Aprovado pela 18ª Assembléia da CNBB
Itaici, 14 de fevereiro de 1980

 

APRESENTAÇÃO
     

Apresentamos à Igreja no Brasil este Documento Batismo de Crianças - Subsídios teológico-litúrgico-pastorais. 

HISTÓRIA

 

No 4º Plano Bienal dos Organismos Nacionais da CNBB, 1977-1978, constava o projeto Celebração do Batismo de Crianças com Grupos Populares sob o nº 1.7 do Programa I, Comunidades Eclesiais de Base.

O 1º texto foi redigido, revisto e aprovado num Encontro de Bispos e peritos em Liturgia, Pastoral e Meios Populares, realizado no Rio de Janeiro.

Esse texto foi enviado aos Regionais para suas contribuições.

Em abril de 1979, por decisão da Assembléia da CNBB, o Documento foi examinado por uma Comissão Especial de Liturgia, integrada por representantes escolhidos pelos Regionais.

A Comissão, apesar de valorizar o Documento, julgou oportuno fosse ele reelaborado, transferindo-se seu exame e sua votação para a Assembléia de 1980.

O novo texto foi, em novembro de 1979, examinado por uma Equipe de Peritos num Encontro em São Paulo e, em dezembro, enviado aos srs. Bispos.

A Assembléia Geral extraordinária da CNBB, em fevereiro de 1980, aprovou, com emendas, o novo texto por unanimidade, havendo apenas uma abstenção.

 

 

O DOCUMENTO

 

Este Documento não desfaz o 1º Documento, de todos conhecido, sobre a Pastoral do Batismo, editado em 1973, mas o completa, com subsídios teológicos que ajudam a sua compreensão a partir dos passos progressivos da própria celebração batismal, como também com subsídios litúrgico-pastorais, que ajudam sua celebração de maneira mais adaptada à cultura e à índole simples da maioria do nosso povo.

À Introdução seguem-se três partes e uma breve Conclusão:

Na Introdução, apresentam-se os objetivos do Documento, a razão de ser da adaptação do rito, a situação da celebração batismal no Brasil, em seu contexto geral e especial, e a divisão.

Na I Parte: "Sentido teológico do sacramento do batismo, a partir do rito", oferecem-se subsídios teológicos, percorrendo a seqüência da celebração batismal, à semelhança das catequeses mistagógicas, nas quais, revelando-se o sentido dos ritos, introduzem-se os fiéis na compreensão e vivência dos sacramentos.

Na II Parte: "Sugestões para a preparação do batismo", depois de recordar inicialmente a necessidade de uma pastoral orgânica para uma celebração ideal do batismo, apresentam-se subsídios pastorais relativos à sua preparação remota e próxima.

Na III Parte: "Sugestões para uma celebração mais adequada do batismo", depois de algumas observações prévias, propõem-se vários subsídios relativos à maneira de realizar cada rito da liturgia batismal.

Na Conclusão, faz-se um apelo aos agentes de pastoral e situa-se o Documento dentro do objetivo geral da Ação Pastoral da Igreja no Brasil.

 

 

VALOR

 

O Documento respeita o Ritual do Batismo, enriquecendo-o de subsídios teológico-litúrgico-pastorais.

Não tem caráter obrigatório, deixando aos srs. Bispos liberdade em sua aplicação.

Entretanto, sua aprovação pela Assembléia é de um valor pastoral incalculável, porque, recolhendo esforços pastorais dispersos pelo Brasil, ajuda ao mútuo enriquecimento das Igrejas e cria melhores condições, em matéria de Liturgia, para uma sadia unidade na pastoral orgânica de todo o país.

Colocando este Documento nas mãos da Igreja que vive no Brasil, esperamos atender ao grande objetivo que os Bispos do Brasil se propuseram: oferecer orientações para a celebração do Batismo de Crianças, de um modo mais adaptado à cultura e à índole de nosso povo, em sua maioria simples.

 

Dom Romeu Alberti

Responsável pela Linha da Liturgia

  

INTRODUÇÃO

  

           1. Objetivos do presente documento

 

              1. Por ocasião da 13ª Assembléia Geral da CNBB, em fevereiro de 1973, os Bispos do Brasil aprovaram um documento intitulado "Pastoral do Batismo", inserido no opúsculo "Pastoral dos Sacramentos de Iniciação Cristã" publicado na Série "Documentos da CNBB", sob o nº 2b. Visava-se, com aquele documento, a "uma renovação da pastoral batismal" e "esclarecer problemas práticos, decorrentes da situação atual da Igreja no Brasil" (cf. Pastoral do Batismo, Introdução).

 

              2. Uma recomendação, no final do documento citado, pedia a realização de duas tarefas: "Solicitamos aos órgãos competentes a preparação de orientações práticas sobre a maneira de celebrar o batismo, bem como a tarefa de promover a adaptação do rito à cultura e índole do nosso povo" (cf. SC 37-40; Ibid., nº 6,1).

 

              3. O presente documento deseja, ao menos em parte, corresponder àquele pedido. Refere-se primariamente à liturgia ou celebração do sacramento do batismo, tendo em vista, sobretudo, a grande maioria de nosso povo — trabalhadores rurais, operários e outros assalariados urbanos — com o fim de oferecer pistas para adaptar a celebração ao seu mundo e à sua mentalidade. Trata-se de um esforço criativo e inicial de aculturação, que apresenta, em vários momentos, sugestões litúrgico-pastorais alternativas a serem aproveitadas conforme as diversas circunstâncias.

 

               2. Razão de ser da adaptação

 

              4. Os Bispos, no Concílio Vaticano II, reconheceram a utilidade e mesmo a necessidade de adaptar a liturgia à índole dos diferentes povos. Basta lembrar duas passagens da Constituição sobre a Sagrada Liturgia: "Salva a unidade substancial do rito romano, dê-se lugar a legítimas variações e adaptações para os diversos grupos, regiões e povos" (SC 38).

 

              5. Tanto "A Iniciação Cristã — Observações Preliminares Gerais" (nº 30-33) como a introdução ao "Rito da Iniciação Cristã dos Adultos" (nº 64 e ss) trazem um capítulo expresso sobre as "adaptações que podem ser feitas pelas Conferências Episcopais". A tais adaptações é que se refere a recomendação do Episcopado Brasileiro transcrita acima.

 

              6. Oferecem-se algumas pistas para as Igrejas particulares, situadas em contextos sócio-econômico-religiosos tão diversificados, como as encontramos nas várias regiões do País, seja no interior seja nos centros urbanos e suas periferias.

 

              7. Com efeito, este sacramento merece especial atenção por duas razões: primeiro, por ser celebrado com freqüência; segundo, por ser fundamental e revelador para todo o conjunto da vida cristã.

 

              3. Situação da celebração do batismo no Brasil

 

  a) Contexto geral da situação

 

              8. Poderíamos iniciar o exame da liturgia batismal no Brasil, recordando o fato pastoral descrito no Documento "Pastoral do Batismo", em especial, as razões que levam os fiéis a pedir o batismo para seus filhos (nº 1.1-3) e as atitudes dos pastores frente a esse pedido (nº 4,1-4.4).

 

              9. Naquele documento, apresentam-se razões com conotações de natureza teológica mais acentuada, razões supersticiosas, razões de cunho social e razões de ordem econômica — algumas válidas, outras questionáveis — para, tomadas em conjunto, tentar esclarecer o fato de a população do Brasil ser, na sua quase totalidade, uma população de batizados.

 

              10. Em relação à atitude dos pastores, observava-se uma diversidade de linhas de ação no tocante à administração do sacramento do batismo indo desde a negação do batismo às crianças até à exigência de uma séria preparação, no contexto de uma renovação de toda a vida eclesial.

 

 

 b) Contexto especial da situação da  celebração do batismo no Brasil

 

              11. Voltando nossa atenção para a própria celebração do batismo, recordamos o quadro já decidido na "Pastoral do Batismo" (nº 3) destacando quanto segue:

 

a)                    Existem comunidades eclesiais no Brasil em que a celebração do batismo, bem como sua preparação e posterior acompanhamento, constituem um exemplo a imitar. Muitas das orientações e sugestões que aparecem neste documento já estão sendo praticadas em tais comunidades.

 

b)                    Em muitas outras comunidades eclesiais, porém, verificam-se deficiências que repercutem negativamente na vida cristã das pessoas e das próprias comunidades.

 

São estas as falhas que ocorrem com maior freqüência:

 

•                      Preparação insuficiente, quando não inexistente, de pais e padrinhos, antes teórica que vivencial, por vezes mais burocrática que pastoral, sem o auxílio de uma equipe formada para esse trabalho, sem distinção entre cristãos afastados da Igreja e cristãos integrados na vida comunitária.

 

•                      Celebração apressada ou rotineira, sem animação e entusiasmo, sem explicação do sentido dos ritos, sem distribuição de funções dentro de uma equipe de celebração, sem variação ou adaptação aos diferentes grupos; mera execução mecânica de cerimônias; leitura inexpressiva de textos.

 

•                      Passividade dos presentes, muitas vezes desprovidos de participação e vivência.

 

• Visão do batismo como assunto individual, sem implicações para com a Igreja e cada comunidade eclesial.

 

•                      Redução do batismo a um fato social, que responde a uma tradição familiar e cultural ou a uma obrigação religiosa, desconhecendo sua natureza de celebração de um mistério, de um acontecimento religioso fundamental, isto é, a inserção em Cristo, a incorporação à Igreja, a purificação do pecado, a filiação divina etc.

 

•                      A fragilidade ou mesmo ausência de compromisso com a educação da fé e o desenvolvimento da vida cristã e eclesial da criança, por parte dos pais, padrinhos e da comunidade.

 

•                      A importância desproporcional atribuída aos padrinhos, em prejuízo dos pais, que são os que decidem o batismo dos filhos e se responsabilizam pelo desenvolvimento da vida cristã iniciada no batismo.

 

•                      A escolha de padrinhos sem levar em conta a sua situação em relação à Igreja e a sua vida cristã.

 

•                      Concepções mágicas e supersticiosas acerca do batismo, presentes tanto na solicitação do batismo como em sua celebração.

 

•                      a evasão de cristãos menos conscientizados para outras paróquias ou dioceses onde não se fazem exigências de preparação para o batismo.

 

•                      exigências demasiado rígidas com o perigo de transformar a Igreja em grupo fechado (gueto) numa atitude injusta para com pessoas não suficientemente esclarecidas.

 

 

                 4. Divisão do documento

 

              12. O presente documento compreende, além da Introdução, as seguintes partes: Sentido teológico do sacramento do batismo a partir do rito; Sugestões para a preparação do batismo; Sugestões para uma celebração mais adequada do batismo; Conclusão.

 

I - PARTE

SENTIDO TEOLÓGICO DO SACRAMENTO DO BATISMO A PARTIR DO RITO

 

              13. Na explicação do sentido teológico do batismo, percorreremos a seqüência de ritos que compõem a sua celebração, à semelhança das antigas catequeses mistagógicas, com as quais se procura descortinar o sentido dos ritos e, assim, introduzir o neobatizado na compreensão e na vivência dos sacramentos.

 

 

            1. Ritos iniciais

 

              14. À porta da Igreja, o celebrante saúda as pessoas presentes e estabelece com elas um diálogo. Em seguida, o celebrante, os pais e os padrinhos traçam o sinal da cruz sobre a fronte de cada criança.

 

a) Recepção

 

              15. O acolhimento exprime o ingresso na comunidade eclesial.

 

              16. Os batizandos são recebidos à porta da igreja para significar que ainda não pertencem à Igreja, na qual entrarão pela porta do batismo.

 

              17. Com efeito, o batismo é a porta de entrada para a Igreja: "É necessário que, pelo batismo, todos sejam incorporados nele (em Cristo) e na Igreja, seu corpo" (AG 7; cf. AG 6, PO 5, AA).

 

              18. A porta do templo, ademais, é símbolo da entrada no Reino  de  Deus,  no  tempo  e  na  eternidade,  através  da  fé  (cf. At 14,26) e do amor.

 

              19. O batismo é aquele sinal da fé sem o qual, ordinariamente, não se pode "entrar no Reino de Deus" (Jo 3,5). De outro lado, porém, a fé, "que opera pela caridade" (Gl 5,6), pode manifestar-se, de certa maneira, até fora dos limites visíveis da Igreja, em toda boa obra em favor dos irmãos, sobretudo dos mais pobres e pequeninos (cf. Mt 25,32-40).

 

b) Canto de entrada

 

              20. O canto de entrada faz eco ao apelo do salmista ao dizer: "Atravessai suas portas com louvor, os seus átrios com hinos; exaltai-o, bendizei seu nome (Sl 99,4). Eu me alegrei, porque me disseram: iremos à casa do Senhor" (Sl 121,1).

 

c) Saudação

 

              21. O celebrante, como o pai de família, saúda os presentes em nome do Pai que nos criou e nos predestinou a sermos "conformes à imagem de seu Filho, para que ele seja o primogênito entre muitos irmãos" (Rm 8,29).

 

              22. Recebe-os alegremente em nome da família dos filhos de Deus reunida no Espírito Santo, à cuja frente foi colocado para dispensar a cada um o pão a seu tempo — (cf. Mt 24,45).

 

              23. A comunidade presente, ao menos na pessoa dos pais, padrinhos, amigos e familiares, acolhe os futuros irmãos, como Jesus, "o primogênito de muitos irmãos" (Rm 8,29), acolhia as crianças: "Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus. Em verdade vos digo: aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança  não  entrará  nele" (Mc 10,14-15).

 

d) Presença da comunidade

 

              24. Batizam-se as crianças normalmente, com a presença e participação da comunidade.

 

              25. O homem, por natureza, necessita da comunidade. Não pode viver sozinho. Basta lembrar a família, a pequena comunidade, a sociedade civil. Uns precisam da ajuda e do apoio dos outros.

 

              26. "Não é bom que o homem esteja só", diz Deus a respeito de Adão (cf. Gn 2,18). E dá-lhe uma companheira. No Antigo Testamento, Deus fez de Israel o seu povo escolhido e celebrou com ele uma Aliança (Ex 19,24). Constituiu-o como "nação santa" (Ex 19,6). Cristo não veio para salvar a cada um isoladamente,  mas  "para  reunir  os  filhos  de  Deus  dispersos" (Jo 11,52), para  que  houvesse  "um  só  rebanho  e  um  só pastor" (Jo 10,5-6).

 

              27. Pelo batismo, o homem se torna membro da Igreja, Povo de Deus. Diz o Vaticano II: "Aprouve a Deus santificar e salvar os homens, não singularmente, sem nenhuma conexão uns com os outros, mas constituí-los num povo, que o conhecesse na verdade e santamente o servisse" (LG 9). Essa comunidade de salvação, esse Povo de Deus é a Igreja. A ela Jesus confiou o Evangelho e o batismo, quando disse: "Ide, fazei discípulos todas as gentes, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19).

 

              28. Por tudo isso, o cristão autêntico leva vida de comunidade eclesial e participa regularmente de uma das comunidades locais nas quais subsiste e opera a Igreja de Cristo (cf. SC 26,27,41,42; Pastoral da Eucaristia, cap. 1º).

 

e) Diálogo

 

              29. O NOME — O diálogo sobre o nome é rico de significação. Cada ser humano é único, irrepetível, insubstituível em sua singularidade pessoal. Somos pensados e amados por Deus, desde a eternidade e para toda a eternidade nesta individualidade singular, e assim devemos ser vistos e acolhidos pelos outros. Podemos possuir coisas e delas dispor a nosso bel-prazer, usando-as, subordinando-as a nossos interesses, trocando-as. Com as pessoas, não podemos fazer o mesmo.

 

              30. A pessoa deve ser aceita com suas próprias idéias, com seus sentimentos e sua maneira de ser. A pessoa não pode ser meio para atingirmos nossos objetivos. O outro é distinto de nós, com direito a ser quem realmente ele é, a ver reconhecida sua própria autonomia, sem precisar renunciar à sua personalidade para viver e conviver.

 

              31. O relacionamento interpessoal e comunitário, se permeado de amor autêntico, favorecerá o desabrochar do "eu" no mútuo reconhecimento e na doação desinteressada.

 

              32. O nome exprime esta identidade pessoal a ser reconhecida pelos outros, chamada a colocar-se a serviço de todos.

 

              33. Na comunidade eclesial, este mútuo respeito será a base de um conhecimento verdadeiro e de um amor autêntico, no qual o conhecimento deverá desabrochar. A medida em que seus membros se conhecerem, sobretudo, nas comunidades menores intraparoquiais, melhor a família de Deus expressará sua união com Cristo, o Bom Pastor, que conhece as suas ovelhas e por elas é conhecido (cf. Jo 10,14). Dar a vida pelas ovelhas (Jo 10,15), amando-as como Cristo as amou (cf. Jo 15,12.17) é a conseqüência do conhecimento amoroso e do mútuo respeito.

 

              34. Na Sagrada Escritura, além disso, o nome é parte essencial da pessoa (cf. 1Sm 25,25), de tal forma que o que não tem nome não existe (Ecl 6,10), sendo a pessoa sem nome um homem insignificante, desprezível (Jó 30,8). O nome equivale à própria pessoa (Nm 1,2.42; Ap 3,4; 11,13).

 

              35. Por isso, ao dar uma missão a alguém, Deus lhe muda o nome: assim com Abraão (Gn 17,5), com Jacó (Gn 32,27ss), com Salomão (2Sm 12,25). Da  mesma  forma,  no  Novo  Testamento,   Jesus   muda  o  nome  de  Simão  para  Pedro  (Mt 16,18;  cf.   Mc 3,16-17) e os Apóstolos mudam o nome de José para Barnabé (cf. At 4,36). O nome de Jesus simboliza a sua missão: Jesus (do hebraico, Yehoshúa) significa Javé salva (cf. Mt 1,21). O nome, em outras palavras, vem a significar a missão que se recebe na história da salvação.

 

              36. No batismo, reconhece-se oficialmente o nome da criança. Recorda muitas vezes o nome de um santo. Aquele que nasce para a vida da graça, no seio da Igreja, liga-se simbolicamente àquele que, depois da peregrinação da fé, nasceu para a vida da glória, animando-o com seu exemplo e ajudando-o com sua intercessão (cf. Prefácios dos Santos). Daí a conveniência de se evitar nomes estranhos e extravagantes.

 

              37. PEDIDO DO BATISMO — São os pais que pedem o batismo para seus filhos. A criança não tem ainda consciência nem autonomia suficiente para tal ato, como, aliás, para tantos outros atos de sua vida. Vive, em tudo, na dependência dos adultos.

 

              38. Os pais, se cristãos, não querem que seus filhos cresçam apenas física, psicológica e intelectualmente; querem vê-los crescidos integralmente. Por isso, desde muito cedo, proporcionam-lhes o batismo, o banho do novo nascimento pelo qual, de simples criatura, a criança passa a ser filho de Deus, de simples membro da família humana, passa a ser membro vivo da família de Deus, a Igreja.

 

              39. Ao ser incorporada a Cristo, repleta do Espírito Santo, consagrada para a vida eterna, a criança passa a possuir dentro de si um dinamismo novo, sobrenatural, a fé, a esperança e a caridade, que, a seu tempo, pela educação e pela prática da vida cristã, na família e nas demais comunidades eclesiais, irá desabrochando numa fé consciente e assumida, responsável e progressivamente adulta.

 

40.         Para marcar as etapas desse desenvolvimento, renovam-se, publicamente, em determinados momentos da vida, os compromissos batismais, especialmente na primeira comunhão, na crisma e na vigília pascal.

 

f) A educação da fé pelos pais

 

              41. A conseqüência, para os pais que pedem o batismo para seus filhos, é o compromisso, já assumido na celebração do casamento, de educá-los na fé, dentro da comunidade eclesial.

 

              42. A ordem de batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo não pode ser desvinculada da missão do anúncio do Evangelho (cf. Mt 16,15), da conversão para o seguimento de Jesus, que caracteriza os verdadeiros discípulos (cf. Mt 28,19) e de uma orgânica educação da fé (cf. Mt 28,20).

 

g) A colaboração dos padrinhos

 

              43. No cumprimento deste compromisso de educar seus filhos na fé, os pais são ajudados pelos padrinhos. Depois dos pais, padrinho e madrinha representam a Igreja, nossa Mãe, "que, pela pregação e pelo batismo, gera, para uma vida nova e imortal, os filhos concebidos do Espírito  Santo  e  nascidos  de  Deus"  (LG 64). Representam a Comunidade que, ao enriquecer-se com a entrada de um novo membro, vê sua responsabilidade também acrescida.

 

h) O sinal da cruz

 

              44. Concluem-se os ritos iniciais, marcando a fronte de cada criança com o sinal da cruz. Que significa isso?

 

              45. Marcam-se livros, roupas, animais com o nome de seu dono ou outro sinal. Muitas pessoas andam com distintivo ou emblema do seu clube, da sua escola, da sua associação esportiva. É um sinal de pertença.

 

              46. Na noite da Páscoa em que fugiram do Egito, os israelitas marcaram as portas de suas casas com o sangue do cordeiro pascal. Assim o anjo justiceiro, que passaria, podia reconhecer as casas dos israelitas e poupar os seus primogênitos (cf. Ex 12).

 

              47. O profeta Ezequiel viu como Deus mandou marcar, com seu sinal, a fronte das pessoas oprimidas. Quando passaram os emissários para matar os malfeitores, sabiam a quem deviam poupar (cf. Ex 9,4-7). Da mesma maneira, serão poupados, no dia da vinda do Senhor, todos os que forem assinalados com o sinal do Deus vivo (cf. Ap 7,2-4 e 9,4).

 

              48. O sinal do cristão é a cruz de Cristo. Quem é marcado com a cruz pertence a Cristo e à sua Igreja. Não pode ser escravo de outros senhores ou adorar outros deuses.

 

 

                 2. Liturgia da Palavra

 

              49. Terminados os ritos iniciais, talvez celebrados à porta do templo, no corpo da Igreja proclama-se a palavra de Deus, elevam-se nossas preces a Cristo e aos santos, e, finalmente, unge-se o peito de cada criança com o óleo dos catecúmenos.

 

a) Leituras bíblicas e homilia

 

              50.  O  próprio  Deus  dirige-nos  a  palavra  (cf. 1Ts 2,13; Rm 10,14; 2Cor 2,17; Rm 15,18-19; 2Cor 13,3; Lc 10,16) através das leituras bíblicas, do Antigo e do Novo Testamento.

 

              51. Enquanto as leituras nos recordam que Deus interveio realmente em nossa história, a homilia testemunha, aqui e agora, a intervenção do Deus vivo em Jesus Cristo e no dom do Espírito.

 

              52. Em ambas as formas, a palavra de Deus é proclamada e acolhida na fé. A realidade do batismo só é conhecida através da fé.

 

              53. Se  todos  os  sacramentos  nutrem,  fortalecem  e exprimem   a   fé   (cf. SC 59), com  muito  maior  razão  o  batismo,   que   é,   por   excelência,  o  "sinal  da  fé"  (cf. Iniciação Cristã, Observações Preliminares Gerais, nº 3).

 

              54. A liturgia da palavra e a liturgia sacramental formam um todo. Na celebração batismal, a liturgia da palavra, além de seu valor próprio, prepara a liturgia sacramental, particularmente a profissão de fé, pela qual o homem responde à proposta de Deus. Ora, a fé nasce e se alimenta da palavra de Deus, assim como a própria comunidade eclesial onde será recebido como membro vivo o batizando.

 

              55. Além disso, os pais, ao pedirem o batismo para seus filhos menores, assumem o compromisso de educá-los na fé. Para tanto, é preciso que conheçam e vivam melhor o conteúdo da fé cristã, expresso verbalmente na Bíblia e na pregação da Igreja.

 

b) Oração dos fiéis

 

              56. Os fiéis invocam a misericórdia de Deus, conscientes de sua incapacidade e da absoluta necessidade da graça de Deus para se obter e se viver com coerência e perseverança a vida nova do batismo: "Sem mim, nada podeis fazer".

 

c) Invocação dos santos

 

              57. A invocação de Deus é seguida pela invocação dos santos, que, antes de nós e muito melhor do que nós, viveram a vida batismal neste mundo.

 

              58. Para nós são estímulos e exemplos; junto a Deus são nossos intercessores. Próximos de nós pela humanidade, estão próximos a Deus pela santidade. Neles a vida batismal floresceu até à plenitude.

 

              59. Neste instante da liturgia batismal, a Igreja peregrina na terra se une à Igreja triunfante no céu (cf. Ap 5,8; 8,3) para pedir a graça de Deus em favor daqueles que ainda se encontram no limiar da Igreja. É a comunhão dos santos.

 

              60. Após a invocação de Maria, Mãe do Filho de Deus — que se torna nossa Mãe no batismo — segue-se a invocação de são João Batista, são José, são Pedro e são Paulo e outros que podem ser acrescentados — como os padroeiros das crianças, da Igreja ou do lugar em que se celebra o batismo — terminando-se com a invocação de todos os santos.

 

d) Oração

 

              61. Nas orações com que o celebrante conclui a liturgia da palavra, recorda-se a missão de Cristo, libertador  do  pecado (1Tm 1,15) e de suas conseqüências (cf. Lc 4,18 ss; 7,18 ss), e portadora de salvação.

 

              62. Jesus Cristo, Filho de Deus, pela sua encarnação, vida, morte e ressurreição, transforma radicalmente a vida humana e o próprio universo, abrindo definitivamente toda a realidade e a história humana para o desígnio de Deus, que quer a plenitude da vida humana (cf. Jo 10,10), numa comunhão filial para com Deus, fraternal para com os outros, senhorial para com o mundo.

 

              63. Deus "quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus, e há um só mediador entre Deus e os homens, que é Jesus Cristo homem, o qual se deu a si mesmo para a redenção de todos" (1Tm 2,4-5).

 

              64. Embora a salvação possa ser dada sem a mediação visível da Igreja e o conhecimento expresso de Cristo e de Deus (cf. LG 16; GS 22), a fé explícita e o conseqüente batismo são o meio ordinário de recebê-la. É dentro destes limites que devemos entender as palavras de Jesus: Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado (Mc 16,16); "Em verdade te digo: quem não nasce do alto não pode ver o Reino de Deus (...) quem não nasce da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus" (Jo 3,3.5).

 

              65. O  Cristo  liberta  do  "espírito  do  mal"  (cf. Ef 6,16; 1Jo 3,8; Mt 6,13), do "poder das trevas" (cf. Cl 1,13; Jo 8,12), do pecado (cf. Mt 9,2.6.13; Lc 5,20; 7,48 etc.), introduz no "reino da luz" (cf. Cl 1,12-13; Jo 8,12; 12, 35-36.46; Ef 5,8; 1Ts 5,5; 1Pd 2,9), dá  ao  cristão  força  e  proteção  para  fazer frente às provações e "resistir  com  coragem  às solicitações do mal" (cf. 1Cor 10,13; 2Pd 2,9; Ap 3,10).

 

e) Unção pré-batismal

 

              66. A coragem (cf. At 23,11; Ef 6,20), a força (cf. Ex 15,2; Sl 141,7; Cl 1,11; 1Cor 10,13; Ef 6,10; 2Tm 4,17; Ap 3,8), a resistência e a proteção (Sl 58,11), impetradas na oração, são significadas pelo gesto sensível da unção pré-batismal: "O Cristo Salvador vos dê sua força. Que ela penetre em vossas vidas como este óleo em vosso peito".

 

              67. Os antigos lutadores se ungiam com óleo em todo o corpo para fortificar os músculos e para dificultar que os adversários os agarrassem. Semelhantemente, preparando-se para as lutas que deverá travar para ser fiel à vocação cristã e à missão que receberá no batismo, o batizando é ungido no peito.

 

              68. "Tendo recebido a couraça da justiça resistais aos artifícios do diabo" (Ef 6,11.14; Is 11,5; 59,17; 1Ts 5,8). Revestidos da armadura de Deus (cf. Ef 6,11), os cristãos estão preparados para resistir à força inimiga e vencê-la. De seus lábios brota um hino de confiança: "tudo posso naquele que me conforta, o Cristo" (Fl 4,13).

 

              3. Liturgia sacramental

 

              69. A liturgia sacramental compreende a oração sobre a água, as promessas do batismo, o batismo, a unção com o crisma, a veste branca, a entrega da vela acesa e o "efeta".

 

a) Oração sobre a água

 

              70. Mesmo "durante o tempo pascal, nas igrejas em que a água foi consagrada na Vigília pascal, para que não falte ao batismo o louvor e a súplica, faça-se a oração sobre a água..." (Rito para o Batismo de Crianças, nº 55).

 

              71. Junto à fonte batismal, o celebrante bendiz a Deus, recordando o admirável plano segundo o qual Deus quis santificar o homem, pela água e pelo Espírito.

 

              72. Diante de nossos olhos passam as principais figuras do batismo presentes na história da salvação: a criação (Gn 1,2.6-10; 1,21-22), o  dilúvio   (Gn 7,9),  a  travessia  do  Mar  Vermelho  (Ex 14,15-22), o   batismo   de   Jesus   nas   águas  do  Jordão  (Mt 3,13-17), a água que correu do lado aberto de Cristo na Cruz (Jo 19,34).

 

              73. Na ordem de Cristo, após a ressurreição — "Ide, fazei discípulos, todos os povos, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo "(Mt 28,19) , passa-se da figura à realidade, da prefiguração à realização.

 

              74. O simbolismo da água é de fundamental importância para se compreender a significação do batismo.

Mergulhar e sair da água significa morrer e ressurgir.

 

              75. "Batizar", com efeito, significa imergir ou submergir na água.

 

              76. O Apóstolo Paulo vê no batismo com água um sentido fundamental. Mergulhar nas águas batismais e sair delas exprime o morrer para o pecado e o ressurgir com Cristo. Morrer para o pecado, ressurgir para a vida nova em Cristo. "Com ele fomos sepultados pelo batismo para participarmos da morte, para que assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova. Pois se fomos unidos a ele pela semelhança da morte, também o seremos pela semelhança da ressurreição" (Rm 6,4-5).

 

              77. Diz o Concílio Vaticano II: "Pelo sacramento do batismo, o homem é verdadeiramente incorporado a Cristo crucificado e glorificado... segundo estas palavras do Apóstolo: Com ele fostes sepultados no batismo e nele fostes co-ressuscitados" (Cl 2,12; cf. 1Pd 3,21-22) (UR 22).

 

              78. Por sua Páscoa, ou seja, sua passagem da morte à vida, ele nos salvou. Ensina ainda o Vaticano II: "Esta obra da redenção humana... completou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal de sua sagrada paixão, ressurreição dos mortos e gloriosa ascensão" (SC 5). "Morrendo, destruiu a morte; e ressurgindo, deu-nos a vida" (Missal Romano, Prefácio da Páscoa I).

 

              79. Pelo batismo, os homens tomam parte nesta morte e ressurreição de Cristo: "Assim também vós, considerai-vos mortos ao pecado, porém, vivos para Deus em Nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 6,11). "O batismo recorda e realiza o mistério pascal, uma vez que por ele os homens passam da morte do pecado para a vida" (Rito para o Batismo de Crianças, A Iniciação Cristã, nº 6). É por isso que, ao sermos batizados, renunciamos ao pecado e a todo mal e fazemos nossa profissão de fé, dizendo firmemente que Deus nos salva do pecado e da morte por seu Filho Jesus.

 

              80. Observadas as devidas precauções, o rito de mergulhar a criança na água batismal e retirá-la exprime melhor esta idéia do que o derramar a água na fronte.

 

A água dá vida

 

              81. A água é necessária para a vida. Sem água, morre a plantação, morrem os animais e as pessoas. Na seca, a terra se torna deserta; quando volta a chover, tudo renasce.

 

              82. Deus criou para o homem um lugar de delícias, donde saía um rio, dividido em  quatro  braços  para  regar o  paraíso  (Gn 2,10-14). Quando os profetas prometiam a salvação, comparavam esta salvação com chuvas, orvalhos, fontes e rios, que mudariam a terra seca em novo paraíso (cf. Is 35,1.6-7). A água  é  também  sinal  do  Espírito  Santo  que dá a vida eterna (cf. Jo 7,37-39).

 

              83. Assim, pela água do batismo, o homem recebe a vida divina, renasce "da águ